Pensamos no dia. Lembramos que presenciamos amor, ódio, compaixão, indiferença, simpatia, inveja, entre outros sentimentos e emoções que podem nos acometer em nosso cotidiano.Sem muito esforço, consideramos que os seres humanos têm capacidade de se tornar um ou outro, isto ou aquilo, em vista dos diferentes potenciais e possibilidades de sentimentos e emoções. No entanto, podemos elencar que uma das opções mais sensatas é o “ser solidário”. Segundo o dicionário Luft (2000) solidário, significa: “em que há dependência, ou responsabilidade mútua”.Porém existe uma grande dificuldade por parte das pessoas em se tornarem solidários, visto que vivemos um padrão cultural em que o individualismo vem se proliferando. Assim não mais me reconheço no próximo, e o espaço privado passa a ser sempre o melhor espaço, afinal há perigo na esquina.E ainda, na esquina há também angústias, essa mesma que às vezes sentimos em nossas reconfortantes poltronas, ou melhor, um pouco menos, pois a angústia da esquina é fria, violenta e degradante.Se você leitor estiver se perguntando: E o que eu tenho haver com isso?Posso lhe responder cordialmente. Tudo, mas apenas quando aguçar sua sensibilidade, reconhecendo o direito do próximo à dignidade será capaz de entender que existe uma interdependência entre os fatos sociais e que você é parte do problema.O aumento dessa sensibilidade, juntamente com o respeito às diferenças são de fundamental importância, pois indica que caminhamos rumo ao verdadeiro progresso da civilização.Pois nesse caminho, passaremos a conhecer a importância de assumirmos compromissos para com o bem comum, uma vez que nossa preocupação com a angústia do próximo é capaz de instituir padrões culturais que garanta dignidade a todos, criando aos poucos redes de atuações solidárias.Ao escolhermos “ser solidário” aumentamos gradativamente nossa dignidade e a do próximo, pois podemos utilizar com paz, segurança e tranqüilidade o espaço público, o que nos trará orgulho de contribuir com a construção de um mundo melhor, onde a esquina não apresente perigo.Cabe ressaltar, que a solidariedade deve ir além do simples assistencialismo, que não trata os problemas em suas bases, apenas coloca remendos em tecidos corrompidos, devemos, sim, oferecer instrumentos, possibilidades, para que as pessoas possam garantir sua emancipação (caminhar com as próprias pernas).Caminhar rumo a um futuro solidário pode ser traduzido pela conquista da dignidade, que permita aos humanos o reconhecimento pelo seu valor, através de nossa preocupação com o próximo e pela preocupação do próximo conosco.
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