Há quem diga que a humanidade está avançando a cada dia. Ao acompanharmos os noticiários, percebemos que: inovações tecnológicas, novas drogas contra doenças se fazem cada vez mais presentes. Tudo indica que realmente estamos avançando.O estudo da genética, por exemplo, vem aperfeiçoando-se constantemente. Seremos algum dia capazes de (re)criar a espécie humana? Mas, afinal, o que seria uma humanidade avançada?Comecemos analisando nosso padrão de vida, de repente, somos bem-sucedidos, e podemos usufruir todos os benefícios que a ciência e a tecnologia podem nos oferecer, como: carro do ano, a cura para nossas enfermidades, e é claro, todo o aparato de segurança contra marginais.Marginais (a margem da sociedade), que por sua vez são fruto de “nossa humanidade avançada”. Desse modo, como pensar em avanço sem liberdade? Como pensar em avanço sem igualdade social?Para que toda essa ciência e tecnologia, quando as mesmas não conseguem atingir todos os cidadãos? E ainda faz com que os mesmo sintam-se infelizes, irrealizados, quando não conseguem atingir todos os patamares cobiçados pela “humanidade avançada” é bem provável que nesse cenário tais cidadãos, especialmente os mais jovens cheios de esperança avancem em seu estado de embriaguez e de entorpecimento (falta de ação).A humanidade está realmente avançando? Para onde? Onde está a sabedoria, o amor, a fraternidade, a solidariedade e o companheirismo? Estariam esses valores se perdendo diante de todo nosso avançado conhecimento?Nosso avanço, na verdade, só se faz perceber no decorrer dos anos. Lá se foi o século 20 e se inicia o século 21. As mudanças já estão sendo sentidas a largos passos, filhos ensinam aos pais a era da Internet, da informação e se perdem num mundo sem limites, onde o conhecer não vem sendo traduzido em sabedoria, ápice de uma humanidade realmente avançada, que se esforça para construir uma sociedade mais igualitária, segue, que não podemos balizar-se simplesmente na ciência e nas inovações tecnológicas para nos pensarmos avançados.Pois, como pensar em uma humanidade avançada quando quem decide nosso futuro é uma minoria e a grande massa segue seu destino de excluído sem ferramentas, sem subsídios para pensar-se como sujeito crítico, ativo e capaz de ação política, uma vez que a grande maioria do nosso sistema de aprendizagem, ou seja, todo nosso contexto cultural trata de reproduzir a “humanidade avançada” restringida a condomínios fechados e carros blindados. Devemos, nos preocupar em formar cidadãos comprometidos, que se organizem em comunidade, que lutem pelos direitos e deveres presentes em uma sociedade democrática, acompanhando o trabalho do poder público, caminhando juntos na construção de uma “humanidade avançada” que compartilha, reflete criticamente e solidariza com os menos afortunados contribuindo com sua autonomia, emancipação para que a ciência e a tecnologia se tornem cada vez mais popularizadas, e em conjunto com a tão desejada sabedoria, possam ser utilizadas para o bem comum. Saudações solidárias
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