terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Participação popular: o caminho para transformação

Temos acompanhado pelo rádio e pela televisão a propaganda eleitoral, que possui grande importância para conhecermos os programas de governo de cada candidato e escolhermos um à altura de honrar com seus compromissos frente à nação brasileira.No entanto, independentemente de nossa escolha, pouca coisa irá mudar enquanto nós, como sociedade civil, não lutarmos por uma democracia que vá além do simples voto popular, a chamada democracia representativa.Devemos lutar para que cada vez mais a democracia direta ou participativa possa ser exercida, através de conselhos consultivos e deliberativos, organizações da sociedade civil, associações, sindicatos, para que, assim, possamos estabelecer mecanismos que regulem o mercado minimizando a degradação da natureza e priorizando a responsabilidade social para com a melhoria da qualidade de vida.E regulem, também, o poder público, exigindo prestação de contas através do orçamento participativo, consolidando o planejamento municipal participativo e definindo prioridades em conjunto com a sociedade civil, por meio de audiências publicas.Para que tal situação possa de fato se concretizar, necessitamos de uma reflexão critica, para que os cidadãos percebam que a transformação requerida não depende apenas de um ou outro presidente, deputado, senador ou governador, mas sim de nossa atuação como cidadãos comprometidos com a solução dos problemas locais.É preciso ser sensato e escolher seus representantes com responsabilidade, estudando seu programa de governo, mas sem acreditar que eles, sozinhos serão os responsáveis pelas transformações que tanto reivindicamos em nosso País.Como não conhecemos a índole de cada um dos nossos representantes, não podemos lhes passar toda a credibilidade para definir nosso futuro; temos que estar conscientes de que o futuro está em nossas mãos, somos os sujeitos de nossa própria história. E é essa história que nos permite construir os meios legais, como o artigo 1o da lei suprema, que diz: “todo poder emana do povo, que poderá exercê-lo por meio de representantes eleitos ou diretamente”.Portanto, devemos seguir rumo à nossa emancipação (caminhar com as próprias pernas), exercendo o poder diretamente junto ao poder público, o que nos permitirá construir nossa história, lutando por aquilo que acreditamos, pois a tempos percebemos que nossos representantes têm deixado a desejar.Assim, não podemos em hipótese alguma nos tornar marginalizados, à parte da coisa pública, pois o que nos integra a uma sociedade é nossa capacidade de ser político, de defender nossos ideais para o bem comum. Daí vem o famoso trecho de Bertolt Brecht intitulado de “O Analfabeto político”, com o qual poderemos ser estimulados a pensar um pouco mais sobre a ação política.“O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio; depende das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais”.Somos seres políticos por natureza, por isso não podemos nos omitir, não podemos deixar que nossa história seja manipulada por terceiros que não conhecem nossas dificuldades cotidianas. Sejamos engajados em alguma causa nobre, lembrando-nos de que um pequeno grupo de cidadãos organizados e comprometidos podem transformar a realidade, ou melhor, é só isso que a tem transformado

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