“O gelo está derretendo, o mar está subindo cada vez mais, as partes baixas da terra não podem ser mais habitadas. Diante desse cenário, vem ocorrendo um êxodo do litoral para as partes altas.Os espaços que restam estão sendo disputados palmo a palmo, sobressaindo-se aqueles que delimitam uma área, e a cercam com seguranças, impedindo assim, aos mais carentes economicamente o direito à vida” (Reportagem publicada no Jornal em algum lugar no futuro)Infelizmente, só os “mais fortes” estavam sobrevivendo, só não poderíamos imaginar que o “mais forte” teria sinônimo de valores monetários.Mas essa vida é assim mesmo diria o habitante desse mundo novo, e ainda: não temos culpa, eles não se esforçaram e agora sofrem com as conseqüências.Assim lá do alto, avistaram pessoas lutando contra o mar que avançava, pensando: a poluição, que vem derretendo o gelo é necessária, pois temos que continuar produzindo riquezas, a proteção da natureza traz prejuízos econômicos.E ressaltavam: que a água continue a subir. Preciso cuidar de minhas economias, por enquanto meu espaço está garantido e vivo relativamente em paz.Passado algum tempo as coisas se estabilizaram. Muitos não conseguiram seu espaço, passando não mais a experimentar a vida. No entanto mais uma reportagem em algum lugar no futuro tirar-lhes-ia o sossego:“Quase todos os países do mundo já possuem armamento nuclear. As grandes potências brigam pelo petróleo e outras fontes de energia. Diante desse cenário, existe um risco de nos próximos anos acontecer uma guerra nuclear”.E diria o mais insensível habitante do mundo novo: como será que vou proteger–me dela? Sinto-me frágil. Com essa afirmação ponderava sobre sua posição privilegiada nas partes mais altas do mundo e concluía: Dessa vez não podemos escapar dos malefícios provocados pelos caminhos tortuosos da humanidade.Essa pequena estória simboliza toda nossa insensibilidade quando o problema não nos afeta diretamente, pois, enquanto os “donos do poder”, que se refugiavam nas partes altas, não eram atingidos, a degradação da natureza que há tempos vinha sendo anunciada continuava.Pensavam: se derreter o gelo faço isso, se aumentar à violência faço aquilo, a todo tempo remediavam a situação ao invés de atacar suas verdadeiras causas (a injustiça social, a violência, a degradação da natureza e a insensibilidade para com o direito do próximo a uma vida digna).No entanto, essa história de bomba, requereria medidas enérgicas, era preciso ser paciente, ter humildade e amor ao próximo, tudo que o dinheiro e o poder, não poderiam comprar.E ainda: o dinheiro, o poder não daria conta dos efeitos da bomba. E diria a sabedoria popular: “aqui se planta, aqui se colhe”.Essa previsão de um mundo em perigo, que de modo pessimista, apresentamos para reflexão do Sr.(a) leitor(a) pode caminhar por outros rumos, pois o espírito que permeia o Natal sempre nos anuncia uma esperança por dias melhores. Meditemos sobre o nascimento de Jesus, sobre toda sua mensagem de amor e paz, e ponderemos - como ele deve se sentir com toda violência, injustiça social e degradação da natureza? O que ele espera de nós? Que o espírito de Natal nos motive a corrigir os caminhos tortuosos escolhidos pela humanidade, e façamos um mundo onde a ternura, a compaixão, a democracia, a justiça social e a proteção ambiental, sigam como nossos objetivos enquanto vivermos. Que busquemos assim assegurar um mundo melhor aos nossos descendentes, e que nossa herança seja um legado de altruísmo e amor à natureza.O sistema em que vivemos, extremamente consumista, no qual o egoísmo, o enriquecimento inconseqüente, o descaso pelo próximo e pela natureza se vêem crescentes, podem sim ser repensados e transformados, basta começar por nós mesmos, avaliando nossos valores e nossas prioridades. Deixemo-nos influenciar pela lembrança do nascimento de Cristo e seus ensinamentos, e que transmitamos mais harmonia e paz a toda nossa família global. O mundo corre perigo, sim, mas ainda existe o Natal.
Nenhum comentário:
Postar um comentário