quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

A emergência humanista em tempos de crise.

Segundo o capítulo 4: 32 do livro “Atos dos apóstolos” a igreja primitiva era organizada da seguinte maneira: “Da multidão dos que creram, uma era a mente e o coração. Ninguém considerava unicamente sua coisa alguma que possuísse, mas compartilhavam tudo o que tinham".

Em tempos de crise, de certo modo, somos convidados a viver segundo os moldes dessa Igreja, mas não estou aqui pensando na Igreja apenas como “sua comunidade”, mas como a humanidade em geral.

Porém, não estamos preparados para compartilhar tudo o que temos, temos nossas contas e nossos desejos pessoais, mas acredito que devamos olhar para os menos favorecidos e esquecer a famosa lógica, de que o outro não tem porque não se esforçou.

Em tempos de crise, simplesmente não temos oportunidades para todos, e é neste instante que cada cidadão pode se sentir como parte de um todo que sofre, tornando-se consciente de que é parte do problema e que, portanto, deve ajudar eliminá-lo.

Tais problemas refletem claramente nossa incapacidade para organizar nossa rica nação. Assim, chegamos à conclusão de que atos de caridade não serão suficientes para solucioná-los, pois são de ordem estrutural. Entretanto com a crise abrem-se brechas para reflexão sobre os valores que conduzem nossas vidas.

Estou apostando que dessa reflexão pode emergir um novo sentimento humanista, pois prefiro previsões carregadas de esperança, confio na solidariedade para com o sofrimento do próximo para preencher as brechas produzidas.

Em tempos de crise, emerge o caos, e é justamente no caos que mora a esperança de uma nova ordem. Se eles dizem: “Yes, we can” (sim, nós podemos – frase símbolo da eleição de Barack Obama), nós por aqui podemos dizer em alto e bom tom: nós venceremos.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

O Garçom educador

Onde aprendemos? Quem nos construiu? A vida? As pessoas que passaram por ela? A escola? Procurando demonstrar que nosso aprendizado ocorre nos mais diferentes espaço e que temos que valorizá-los como um espaço com potencial educativo, decidi contar o seguinte caso através de uma breve etnografia, ou seja, uma descrição densa de uma cultura em um determinado espaço e tempo.
Caminhava pela Avenida São Francisco Xavier, no bairro Maracanã, Rio de Janeiro, quando avistei três garotos que com agilidade brincavam entre a multidão. Devido à chuva que se iniciava, por volta do meio dia, parei em baixo de um toldo em frente a um restaurante sem qualquer aspecto de requinte.
Passado algum tempo os garotos aparentando ter entre dez e oito anos pararam ao meu lado, um deles tinha (ao que me parece) uma conjuntivite bastante preponderante em seu rosto.
Uma sensação estranha percorreu meu corpo, talvez um pouco abalado por ter recebido há cinco minutos atrás um pedido, ao meu ver, desesperador: “paga um salgado pra mim”, e indiquei as crianças: “vai para escola”, acreditando ser esta uma instituição capaz de conduzi-los a uma melhor condição de vida, para que não ocupem o lugar desesperador do rapaz avistado minutos atrás.
Neste momento, saiu um rapaz do restaurante, aparentemente um garçom, ele provavelmente ouviu meu comentário para as crianças, dada a proximidade entre nós, e disse aos meninos: “de onde vocês estão vindo?” Um deles respondeu: “do complexo” (bairro considerado perigoso), logo em seguida o rapaz perguntou: “o que vocês estão fazendo aqui?” Os meninos pareciam confusos e não sabiam o que dizer, foi então que um deles com um sorriso contido, disse: “roubar”.
Sinceramente, não sei o quanto aquela fala era verdadeira, pensei que podiam estar querendo impressionar, outro menino brincou: “estou com uma pistola”. O garçom avistando um rapaz com um braço quebrado, de aspecto sujo e que falava sozinho, disse: “Alá, vai ficar daquele jeito” e ameaçou os meninos, dizendo: “vai ficar guardado heim”, ou seja, preso, e complementou: “ não vai ficar botando o terror aqui não, vai tomar uma raquetada”. (tapa)
O que me chamou atenção era que o rapaz fazia tais comentários em um tom amigável e os meninos aceitavam-os do mesmo modo. Acredito que neste momento, tanto eu, como o garçom estávamos preocupados com o destino das crianças.
No entanto, pensávamos e agíamos seguindo estratégias distintas para indicarmos um caminho, eu na escola, e ele, ao modo dele, sendo o próprio educador, criado na vida, derepente ele sabia que naquele espaço ele podia ser, como ao meu ver foi, um exemplo de dedicação e perseverança.
Desse modo, posso afirmar: avenida, restaurante, garçom, crianças montaram um cenário onde a cultura se (re) significa, se modela e se criam símbolos para um convívio. Eis um espaço educativo, onde acontece a construção social do meio ambiente.

Os “pulos” na Austrália.

“Autoridades sanitárias dos Estados da Austrália do Sul e Vitória aconselharam as pessoas a ficarem em lugares fechados, com ar-condicionado, e a manterem uma boa hidratação.”
Diante deste cenário, fico perguntando-me: será que já começou os efeitos do aquecimento Global? No entanto, não preciso nem ir muito longe para perceber que, de fato, este problema já nos aflige, é só acompanharmos, por exemplo, as estações climáticas que não obedecem mais a sua ordem natural conhecida tão bem pelos nossos familiares mais antigos.
Infelizmente, o aquecimento global já dá seus sinais, mas acredito que não adianta nos alarmarmos pensando que daqui alguns anos as coisas poderão ficar ainda pior. Acredito que devemos ter esperança de construir uma sociedade mais preocupada com as questões ambientais e que seremos capazes de resolve este problema.
Contudo, hoje é o dia de começarmos a transformação necessária, e, se caso o amigo (a) leitor (a) estiver se perguntando como posso contribuir, digo o seguinte, procure utilizar transportes como: a bicicleta e o ônibus.
Para isso, novos valores precisam ser colocados em pauta, como: a solidariedade, o amor, a paz, e não falo deles só em nível mundial, falo deles inundando (que medo desta palavra) o seu cotidiano.
Afinal, quem não tem uma boa relação com seu semelhante, quem não se preocupa com ele, dificilmente fará a diferença e contribuirá para que o aquecimento global não faça mais vítimas.
Cobre do poder público a construção de ciclovias e o aperfeiçoamento dos transportes coletivos. Viva a cultura da bicicleta, do transporte coletivo, quem sabe, desse modo, garantiremos que os pulos dos cangurus australianos durem por muito tempo.