terça-feira, 29 de janeiro de 2008

O pertencimento



Uma das certezas que o ser humano julga ter é a de que o tempo passa. Vivendo em uma casa perto de um lago Américo observava atentamente a paisagem e constantemente se perguntava, para que existe tal espécie? (pouco conseguia olhar para si mesmo e fazer a mesma pergunta, que vinha lhe chamando a atenção: para que eu sirvo?).
Nesse dia, ao avistar um inseto desajeitado, pois não tinha grandes habilidades para voar, disse a si mesmo, ou se possível para o inseto, para que você serve? E como em um passe de mágica Américo obteve uma resposta, curta e grossa, quando esse estranho inseto foi levantar vôo, um bem-te-vi bateu asas e fez sua refeição por volta do meio dia. Sua pergunta estava, então, respondida o inseto servia para o almoço do pássaro.
Satisfeito com a resposta desistiu de vez de indagar-se sobre sua função no ambiente, pois já tinha uma certeza, a de que: sempre irá existir uma utilidade para existência seja qual for a espécie, pois, de alguma forma a vida interfere no ambiente e de alguma forma a vida passa, e vai se aproximando do seu final.
No entanto, e se o tempo parar? E se nossa vida não passar? Poderemos ter o prazer de ficar imóvel, dando sentido a nossa existência vendo o inseto voar e o bem-te-vi se alimentar, tendo certeza que no ambiente nada é em vão.
Assim teríamos constantemente certeza que nossa vida tem sentido, pois o conhecimento está no saber, mas a sabedoria está no observar e no sentir. Mais do que no passar do tempo está no hoje, no único tempo que, de fato existe, no úncio tempo que podemos nos tornar o que de fato queremos ser.
Américo se tornou uma pessoa que vê sentido e realização na perfeita ordem da natureza quando sua visão captou uma das mais importantes emoções, a de que, de alguma forma, interferimos no ambiente, de alguma forma pertencemos ao ambiente, resta nos então ponderar sobre a qualidade dessas interferências.

Tempo de semear

Brasil 2007, tempo de velocidade tanto de carros, motos, aviões e ladrões, como do dia que se perde na correria, da buzina, do barulho e do engarrafamento da esquina. Tempo que passa e nos faz pequenos, insignificantes diante da sua grandeza.
Re-vivamos 2007. Será que semeamos amor? O que oferecemos de bom? Refletimos para escolhermos nossos caminhos?
Brasil 2008, tempo de sociabilidade, onde já não somos pequenos, mas uma peça importante para que o tempo apesar de veloz seja de conivência harmônica.
Lembre-se nada é muito grande nada de material é digno de grande valor e nada é mais gratificante que uma boa convivência, sendo assim, evitemos brigas e confusões, vejamos a ordem do tempo e fiquemos atentos, não haverá chance de retomá-lo.
Cuide-se para que quando raiar o primeiro dia de cada ano você possa em paz conversar com você e dizer: fiz do meu tempo, um tempo de aperfeiçoamento e mesmo com as dificuldades, amei.
Que 2008 seja repleto de amor pelo próximo, com uma boa colheita dos frutos semeados em 2007, e lembre-se o tempo é curto e veloz, sendo assim, nunca deixe de semear amor, pois haverá frutos a colher e feliz com isso aprenderá a importância de semear e regar com combustível, não o que alimenta a velocidade, mas o que alimenta a paz, a esperança, e a dignidade: o amor.

Atenção: é festa, é carnaval

Mais uma noite de Carnaval. Enquanto as avenidas iluminadas com seus carros alegóricos e os salões decorados com suas marchinhas contagiam os foliões, em um outro canto a cidade dorme calada e mais uma pessoa termina sua jornada à procura de alimentos.Na televisão, depois de cenas fortes na novela, a quase nudez das moças induzem nossos jovens à sexualidade. Nos bailes, mais uma briga e mais um bêbado no chão, e nas criatividades das fantasias, mentes distantes do dia-a-dia.É festa? Mas o que estamos comemorando? Seria o aumento de acidentes de trânsito provocado pelo abuso de álcool ou todo nosso descaso pela educação e pela saúde do planeta que pede socorro? O axé dos baianos, a bateria das escolas de samba, os carros alegóricos, as marchinhas, nos faz esquecer das obrigações, nos faz sentir emoção, pois cantamos todos com o coração e unimos uma nação. Porque não fazermos a mesma mobilização e união para alimentar o pobre, para acabar com a corrupção, para lutar pelo meio ambiente? Festejar é mais fácil?Dormi, esqueci, confundi o mês, confundi os dias, o carnaval passou, e nem vi. Cadê o Carnaval?Agora só faltam alguns dias para Páscoa. A boa-nova vai ser relembrada; um salvador está na terra; aperfeiçoamo-nos para anunciá-lo. Assim, quem sabe, no próximo Carnaval, teremos, de fato, motivos para comemorar.Posso parecer pessimista, feriado de carnaval pode ser bom, mas nada impede uma reflexão crítica. Afinal, há outro instrumento para melhorar uma nação? Aproveite com responsabilidade, não estrague a festa de seu irmão.

A força do entusiasmo

O desespero, o grito, o choro presenciado na televisão ou em nosso cotidiano muitas vezes nos deixa preocupados com os caminhos que a civilização vem tomando, são guerras, degradação ambiental, violência, entre outros males.Quem nunca pensou, onde vamos parar? E se perguntou, o que será de nossos descendentes?Alguns podem ficar abatidos, e sem motivação para melhorar suas vidas e a dos seus semelhantes, mesmo com pequenas atitudes, como: separando o lixo reciclado, perdoando colegas por suas falhas, (também falhamos em algumas ocasiões) participando de projetos sociais e organizações de bairro que visem ao bem comum.No entanto, é preciso de entusiasmo, mas o que seria entusiasmo, vejamos: suas raízes etimológicas são “in” = dentro e “theos” = Deus, então, entusiasmo é ter Deus dentro de si, e quando se tem Deus dentro de si os fatores externos passam a não mais nos incomodar como antes, nos tornamos mais fortes e buscamos melhorar o mundo ao nosso redor dentro de nossas possibilidades.Pergunto agora ao amigo (a) leitor (a): alguma coisa é impossível quando se tem Deus dentro de si?Pois bem, o mundo passa por momentos difíceis, mas não podemos entregar os pontos e nos darmos por vencido, devemos fazer história, deixando nossos nomes marcados como exemplos de pessoas que lutaram por um mundo melhor.Não vejo missão mais gratificante e digna para se cumprir, do que pelo menos em alguns momentos de nossa vida proporcionar esperança a quem andava desiludido, e não acreditava mais, que o mundo ainda poderia ser um lugar de paz, harmonia e compaixão.Portanto, amigos (a) entusiasmo, que essa luz que brilha em você, nunca se apague, ela foi um presente de Deus, cuide bem dela, desse modo, terá força para iluminar a vida de pessoas que precisam de conforto tanto material como espiritual. Façamos nossa parte, assim o desespero, o grito e o choro um dia se transformarão em alegria, não desanime se mesmo com os esforços não conseguirmos, pois um dia estaremos mais perto da perfeição, colhendo nossos frutos no céu, pelo menos foi o único lugar perfeito que pude imaginar.

E eu, como vejo a vida?

Aconteceu há alguns anos. Américo, homem rico e respeitado em seu pequeno universo, achava-se satisfeito com a vida que levara até então.No entanto, com o passar dos anos, passou a se sentir triste e arrependido de alguns erros que manchavam seu passado. Sua satisfação com a vida começou a diminuir, pois não mais se traduzia em alegria; afinal o mundo a seu redor ainda chorava de agonia.Perguntou-se, então, ao avistar um lindo amanhecer: como poderei melhorar o mundo? Em vista a um grandioso universo, poderia eu contentar-me apenas com minha satisfação pessoal? Não, já não bastava mais. Sentia-se um insignificante habitante da espaçonave terra, precisava fazer algo pelos outros, não poderia viver, apenas para si próprio.No dia seguinte, ao encontrar-se com o mar, sentiu todo o sal que envolvia seu corpo e, como num passe de mágica, ao lembrar-se de uma escritura sagrada que seu avô lhe ensinara quando criança, decidiu transformar sua vida. A escritura dizia: “o povo do convênio de Deus é considerado o sal da terra”, ou seja, os filhos de Deus devem fazer a diferença, ajudando a melhorar nosso mundo.E, nesse mesmo dia, que se fez o mais especial de sua vida, adentrou em uma linda floresta, onde pássaros alegres lhe davam as boas vindas, sentiu o perfume das flores, a brisa úmida da mata, e foi tomado por uma nostalgia dos bons tempos de menino quando aos domingos freqüentava o Bosque Municipal de sua cidade natal.Esse sentimento inspirou-o a relembrar sua infância, e pensava como poderia haver felicidade real sem aquele estado de graça, de ingenuidade. Chegara à conclusão de que não era saudável achar-se pronto, acabado; isso estava tornando-o arrogante. Percebeu, então, que era um ser inacabado e que, por isso, deveria estar aberto constantemente a novos aprendizados.Lembrou-se mais uma vez do seu sábio avô que lhe ensinará o seguinte trecho bíblico: “aquele que se tornar humilde como este menino, este é o maior no reino de Deus”. A humildade permitiu que ele se colocasse como um aluno na escola da vida, aumentando, assim, sua sabedoria e sua satisfação pessoal.Ao final do dia, contemplava e reverenciava a natureza que lhe tinha proporcionado momentos de extrema paz e ternura; sentia-se como arrancado do tempo, como se o tempo não existisse.Reconheceu-se como um ser pequeno, como uma pequena partícula diante do grandioso universo, pensava que todo seu dinheiro e respeito conquistado na sociedade nada significavam perante a perfeita ordem do tempo e da natureza.Precisava, então, viver sob novos valores, precisaria adotar uma nova visão de mundo, para que realmente conseguisse transformar sua vida. Decidiu, então, ser sal na terra, e ser mais parecido com um menino, que pouco se preocupa com o status, não possui arrogância e está sempre disposto a aprender.Passou, assim, a servir seu semelhante inspirado pela divindade da natureza, lembrando mais uma vez do seu avô, que lhe ensinava sobre a importância da caridade dizendo: “quando estais a serviço de vosso próximo, estais somente a serviço de Deus”.A vida de Américo adquiriu um novo sentido, deixando para segundo plano sua ambição pelo reconhecimento, pela diferenciação e pela riqueza. Sua vida fora abençoada com uma felicidade plena, que, por sua vez, só pode ser sentida pelos homens que passam a amar seu próximo e a natureza como a si mesmos.A história de Américo me fez refletir profundamente sobre minha vida, minhas prioridades e meus valores, constantemente me perguntava: e eu, como vejo a vida?

Verão, chuva, 2007, renovação

Vem chegando o verão e, com ele, a temporada de chuvas, assim começam a surgir nas cidades enchentes e deslizamentos de terras, pois as ruas estão sujas, os bueiros entupidos e o solo impermeabilizado.No campo, a chuva é muito bem vinda, mas traz com ela alguns problemas, visto que alguns solos sem proteção natural permitem que eles sejam lavados, perdendo seus nutrientes e provocando erosão.Vejam só, amigos(as) leitores (as): Chegamos num ponto em que nos questionamos - Será que a chuva é somente boa? Para a natureza intocada, com certeza é, pois faz parte do ciclo vital da vida e reflete toda a sua harmonia. No entanto, para a cidade e para o campo não sabemos, pois a chuva precisa de espaços onde prevaleça harmonia, apenas assim ela será capaz de nos abençoar com a vida, com o renascimento, com a renovação.Não vislumbrando tais cenários, lamentamos: infelizmente hoje a chuva não é a todo tempo bem vinda, pois a natureza foi muito modificada, assim quando cai muita água a degradação é anunciada. Contudo vendo-a, sentindo-a, podemos ser motivados a pensarmos numa possível solução, atentando-nos para a sua possibilidade de vida e renovação, não apenas na natureza, mas também em nosso coração.A degradação, por ela revelada, pode nos estimular a transformação, pois quando um novo ano começa as esperanças de se construir um mundo melhor são renovadas, estimulando-nos a nos envolvermos de forma ativa para a solução dos problemas.Para nos ajudar nesta empreitada poderíamos utilizar a chuva e todo o seu simbolismo, tomando “um banho de chuva” ou apenas admirando-a, reconhecendo sua divindade e perfeição. Eliminaríamos, assim, nossa desconsideração pelo ambiente que nos cerca, pensando na chuva não mais como nossa inimiga, pois construiríamos um mundo sem inundações, deslizamentos e erosões. Poderíamos sentir a chuva, com uma emoção romântica, que nos leva a um passado remoto, onde ela começava a proporcionar nossa existência atual, abençoando nossos antepassados e todo ambiente que seguia razoavelmente em harmonia.Deixemos, então, que a chuva infiltre em nossa alma para que limpemos toda injustiça, fome, violência e poluição, retomemos, nas cidades e nos campos, a harmonia que a chuva nos estimula a pensar. Que ela possa ser lembrada apenas por suas bênçãos não pela sua degradação. Um dia renderemos graça e não mais deixaremos a ansiedade tomar conta de nós, fazendo as seguintes exclamações: Essa chuva poderia parar! Ela já está provocando estragos!Pois bem, atenção. Ao presenciarem dias de chuvas, lembrem-se: é dia de pensar em limpeza, tanto material como espiritual, de pensar em renovação, em transformação para que 2007 seja repleto de satisfação para toda a nação.

O mundo corre perigo, mas ainda existe o Natal

“O gelo está derretendo, o mar está subindo cada vez mais, as partes baixas da terra não podem ser mais habitadas. Diante desse cenário, vem ocorrendo um êxodo do litoral para as partes altas.Os espaços que restam estão sendo disputados palmo a palmo, sobressaindo-se aqueles que delimitam uma área, e a cercam com seguranças, impedindo assim, aos mais carentes economicamente o direito à vida” (Reportagem publicada no Jornal em algum lugar no futuro)Infelizmente, só os “mais fortes” estavam sobrevivendo, só não poderíamos imaginar que o “mais forte” teria sinônimo de valores monetários.Mas essa vida é assim mesmo diria o habitante desse mundo novo, e ainda: não temos culpa, eles não se esforçaram e agora sofrem com as conseqüências.Assim lá do alto, avistaram pessoas lutando contra o mar que avançava, pensando: a poluição, que vem derretendo o gelo é necessária, pois temos que continuar produzindo riquezas, a proteção da natureza traz prejuízos econômicos.E ressaltavam: que a água continue a subir. Preciso cuidar de minhas economias, por enquanto meu espaço está garantido e vivo relativamente em paz.Passado algum tempo as coisas se estabilizaram. Muitos não conseguiram seu espaço, passando não mais a experimentar a vida. No entanto mais uma reportagem em algum lugar no futuro tirar-lhes-ia o sossego:“Quase todos os países do mundo já possuem armamento nuclear. As grandes potências brigam pelo petróleo e outras fontes de energia. Diante desse cenário, existe um risco de nos próximos anos acontecer uma guerra nuclear”.E diria o mais insensível habitante do mundo novo: como será que vou proteger–me dela? Sinto-me frágil. Com essa afirmação ponderava sobre sua posição privilegiada nas partes mais altas do mundo e concluía: Dessa vez não podemos escapar dos malefícios provocados pelos caminhos tortuosos da humanidade.Essa pequena estória simboliza toda nossa insensibilidade quando o problema não nos afeta diretamente, pois, enquanto os “donos do poder”, que se refugiavam nas partes altas, não eram atingidos, a degradação da natureza que há tempos vinha sendo anunciada continuava.Pensavam: se derreter o gelo faço isso, se aumentar à violência faço aquilo, a todo tempo remediavam a situação ao invés de atacar suas verdadeiras causas (a injustiça social, a violência, a degradação da natureza e a insensibilidade para com o direito do próximo a uma vida digna).No entanto, essa história de bomba, requereria medidas enérgicas, era preciso ser paciente, ter humildade e amor ao próximo, tudo que o dinheiro e o poder, não poderiam comprar.E ainda: o dinheiro, o poder não daria conta dos efeitos da bomba. E diria a sabedoria popular: “aqui se planta, aqui se colhe”.Essa previsão de um mundo em perigo, que de modo pessimista, apresentamos para reflexão do Sr.(a) leitor(a) pode caminhar por outros rumos, pois o espírito que permeia o Natal sempre nos anuncia uma esperança por dias melhores. Meditemos sobre o nascimento de Jesus, sobre toda sua mensagem de amor e paz, e ponderemos - como ele deve se sentir com toda violência, injustiça social e degradação da natureza? O que ele espera de nós? Que o espírito de Natal nos motive a corrigir os caminhos tortuosos escolhidos pela humanidade, e façamos um mundo onde a ternura, a compaixão, a democracia, a justiça social e a proteção ambiental, sigam como nossos objetivos enquanto vivermos. Que busquemos assim assegurar um mundo melhor aos nossos descendentes, e que nossa herança seja um legado de altruísmo e amor à natureza.O sistema em que vivemos, extremamente consumista, no qual o egoísmo, o enriquecimento inconseqüente, o descaso pelo próximo e pela natureza se vêem crescentes, podem sim ser repensados e transformados, basta começar por nós mesmos, avaliando nossos valores e nossas prioridades. Deixemo-nos influenciar pela lembrança do nascimento de Cristo e seus ensinamentos, e que transmitamos mais harmonia e paz a toda nossa família global. O mundo corre perigo, sim, mas ainda existe o Natal.

Reflexão sobre a solidariedade

Pensamos no dia. Lembramos que presenciamos amor, ódio, compaixão, indiferença, simpatia, inveja, entre outros sentimentos e emoções que podem nos acometer em nosso cotidiano.Sem muito esforço, consideramos que os seres humanos têm capacidade de se tornar um ou outro, isto ou aquilo, em vista dos diferentes potenciais e possibilidades de sentimentos e emoções. No entanto, podemos elencar que uma das opções mais sensatas é o “ser solidário”. Segundo o dicionário Luft (2000) solidário, significa: “em que há dependência, ou responsabilidade mútua”.Porém existe uma grande dificuldade por parte das pessoas em se tornarem solidários, visto que vivemos um padrão cultural em que o individualismo vem se proliferando. Assim não mais me reconheço no próximo, e o espaço privado passa a ser sempre o melhor espaço, afinal há perigo na esquina.E ainda, na esquina há também angústias, essa mesma que às vezes sentimos em nossas reconfortantes poltronas, ou melhor, um pouco menos, pois a angústia da esquina é fria, violenta e degradante.Se você leitor estiver se perguntando: E o que eu tenho haver com isso?Posso lhe responder cordialmente. Tudo, mas apenas quando aguçar sua sensibilidade, reconhecendo o direito do próximo à dignidade será capaz de entender que existe uma interdependência entre os fatos sociais e que você é parte do problema.O aumento dessa sensibilidade, juntamente com o respeito às diferenças são de fundamental importância, pois indica que caminhamos rumo ao verdadeiro progresso da civilização.Pois nesse caminho, passaremos a conhecer a importância de assumirmos compromissos para com o bem comum, uma vez que nossa preocupação com a angústia do próximo é capaz de instituir padrões culturais que garanta dignidade a todos, criando aos poucos redes de atuações solidárias.Ao escolhermos “ser solidário” aumentamos gradativamente nossa dignidade e a do próximo, pois podemos utilizar com paz, segurança e tranqüilidade o espaço público, o que nos trará orgulho de contribuir com a construção de um mundo melhor, onde a esquina não apresente perigo.Cabe ressaltar, que a solidariedade deve ir além do simples assistencialismo, que não trata os problemas em suas bases, apenas coloca remendos em tecidos corrompidos, devemos, sim, oferecer instrumentos, possibilidades, para que as pessoas possam garantir sua emancipação (caminhar com as próprias pernas).Caminhar rumo a um futuro solidário pode ser traduzido pela conquista da dignidade, que permita aos humanos o reconhecimento pelo seu valor, através de nossa preocupação com o próximo e pela preocupação do próximo conosco.

Participação popular: o caminho para transformação

Temos acompanhado pelo rádio e pela televisão a propaganda eleitoral, que possui grande importância para conhecermos os programas de governo de cada candidato e escolhermos um à altura de honrar com seus compromissos frente à nação brasileira.No entanto, independentemente de nossa escolha, pouca coisa irá mudar enquanto nós, como sociedade civil, não lutarmos por uma democracia que vá além do simples voto popular, a chamada democracia representativa.Devemos lutar para que cada vez mais a democracia direta ou participativa possa ser exercida, através de conselhos consultivos e deliberativos, organizações da sociedade civil, associações, sindicatos, para que, assim, possamos estabelecer mecanismos que regulem o mercado minimizando a degradação da natureza e priorizando a responsabilidade social para com a melhoria da qualidade de vida.E regulem, também, o poder público, exigindo prestação de contas através do orçamento participativo, consolidando o planejamento municipal participativo e definindo prioridades em conjunto com a sociedade civil, por meio de audiências publicas.Para que tal situação possa de fato se concretizar, necessitamos de uma reflexão critica, para que os cidadãos percebam que a transformação requerida não depende apenas de um ou outro presidente, deputado, senador ou governador, mas sim de nossa atuação como cidadãos comprometidos com a solução dos problemas locais.É preciso ser sensato e escolher seus representantes com responsabilidade, estudando seu programa de governo, mas sem acreditar que eles, sozinhos serão os responsáveis pelas transformações que tanto reivindicamos em nosso País.Como não conhecemos a índole de cada um dos nossos representantes, não podemos lhes passar toda a credibilidade para definir nosso futuro; temos que estar conscientes de que o futuro está em nossas mãos, somos os sujeitos de nossa própria história. E é essa história que nos permite construir os meios legais, como o artigo 1o da lei suprema, que diz: “todo poder emana do povo, que poderá exercê-lo por meio de representantes eleitos ou diretamente”.Portanto, devemos seguir rumo à nossa emancipação (caminhar com as próprias pernas), exercendo o poder diretamente junto ao poder público, o que nos permitirá construir nossa história, lutando por aquilo que acreditamos, pois a tempos percebemos que nossos representantes têm deixado a desejar.Assim, não podemos em hipótese alguma nos tornar marginalizados, à parte da coisa pública, pois o que nos integra a uma sociedade é nossa capacidade de ser político, de defender nossos ideais para o bem comum. Daí vem o famoso trecho de Bertolt Brecht intitulado de “O Analfabeto político”, com o qual poderemos ser estimulados a pensar um pouco mais sobre a ação política.“O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio; depende das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais”.Somos seres políticos por natureza, por isso não podemos nos omitir, não podemos deixar que nossa história seja manipulada por terceiros que não conhecem nossas dificuldades cotidianas. Sejamos engajados em alguma causa nobre, lembrando-nos de que um pequeno grupo de cidadãos organizados e comprometidos podem transformar a realidade, ou melhor, é só isso que a tem transformado

Reflexão sobre natureza e valores

Qual o valor da vida? Será encontrado na natureza seu verdadeiro valor? Ou apenas em relações monetárias? Temos falado sobre a perda de valores, mas estamos errados. Temos cada vez mais valores incorporados, é claro que não o mesmo valor que pensa a vida, mas sim um valor monetário, onde tudo passa a ter preço e tudo pode ser comprado. Diante desse contexto, ouvimos o famoso dito popular “dinheiro não traz felicidade, manda buscar”. As pessoas se esqueceram que o valor capaz de nos trazer felicidade deve ter base em sentimentos como compaixão e solidariedade, que nos permitem compartilhar a experiência de viver no planeta terra. Algumas pessoas, pensando apenas na arrecadação monetária, no individualismo, colocaram esses valores como fonte de felicidade e realização pessoal. No entanto, como nos sentirmos realizados quando não nos percebemos, numa rede de relações, em que nos apresentamos como parte interdependente e quando milhares de pessoas sofrem diante da exclusão social?Apenas na natureza reconhecemos o verdadeiro valor, ou, pelo menos, os valores mais soberanos, o valor de se ter vida, de ter conseguido sobreviver, o valor do desabrochar de uma sabedoria que pouco ainda conhecemos, e que nos põe diante de um mistério que simplesmente não pode ser mensurado em valor monetário.Porém, certo desrespeito com a natureza harmônica é o que nos querem “fazer engolir” quem não consegue enxergar-se como parte do problema, e ainda, quem não consegue sentir todas as dores do mundo ao ver uma criança abandonada, a degradação ambiental e a guerra que maltrata inocentes.Definitivamente não é essa natureza humana rude que necessitamos para construção de um mundo novo; deixemos à lei dos mais fortes, para regulação dos animais irracionais, que faz dela fator de sobrevivência. Agora, nós, seres humanos, por que sermos sempre os mais fortes? Dependemos disso para sobreviver? Será que a natureza selvagem ainda se encontra presente e existem aqueles que se acham “o rei da cidade”?Até quando vamos exaltar essas pessoas como os melhores, os mais fortes, quando apenas são mais uma no meio da multidão. Afinal, todos somos iguais perante a natureza, todos temos o direito de desfrutar dos prazeres e das condições dignas, que ela nos é capaz de oferecer.Até quando vão nos impor como soberanos: até quando aceitaremos os valores monetários exorbitantes utilizados para “comprar felicidade”, deixando o resto da humanidade sem condições dignas? Olhemos a natureza, em seu equilíbrio, em sua eternidade, fazendo um contraponto com nossa breve existência no planeta terra. Assim, poderemos perceber toda nossa pequenez diante da grandeza do universo e questionar alguns valores fúteis que nos vem impondo a sociedade, como arrecadações monetárias exorbitantes ancoradas no individualismo, que degradam, maltratam e não aliviam o sofrimento dos mais necessitados e da nossa grande mãe-terra, que nos honra com sua beleza e perfeição, mas requer solidariedade e compaixão.

Comunidade e ação política organizada

Comum a todos. Nesses moldes pensamos comunidade. Pensamos nos vizinhos, na escola, no bairro. Assim, logo podemos nos perceber num emaranhado de relações que podem evidenciar uma certa qualidade, pela capacidade de organização de grupos com anseios para o bem comum.Nessas organizações, bem como em todas as nossas relações, se destaca o que podemos chamar de politicidade, que por ora, se faz perceber em nosso cotidiano defendendo pontos de vistas e tentando influenciar pessoas.Essa politicidade quando exercida de modo a levantar discussões e reflexões proporciona um salto qualitativo em nossas relações cotidianas, uma vez que passamos a compreender a necessidade das organizações populares que, ao fortalecer laços de afetividade e militância, contribuem com o exercício da democracia que cobra ações do poder público, participando na gestão do patrimônio municipal.Cabe, no entanto, refletirmos sobre como vem sendo pensada a comunidade atualmente, pois consideramos a mesma como base para a ação política organizada. Para facilitar nossa reflexão podemos visualizar algumas tendências da sociedade atual, tais como: condomínios fechados, grandes propriedades privadas, utilização do carro como prioridade no transporte urbano, cercas elétricas nas residências, “cuidado cão bravo” e etc.Visto tal cenário constatamos uma tendência que nos traz um certo pessimismo em relação ao estabelecimento da comunidade, onde as relações humanas prezem pelo bem comum e pelo compromisso com o próximo. Tais tendências vêm se acentuando através do modelo de desenvolvimento econômico que provoca intensamente a competição e o individualismo, ao invés da cooperação, e faz com que os cidadãos não percebam os benefícios de estar compartilhando, solidarizando-se e participando em uma comunidade. O estabelecimento da comunidade, acima de tudo, busca melhorias no mundo atual, visto as possibilidades de tecer a construção da qualidade de vida através da ação política da comunidade junto ao poder público, sejam por meios de Ongs, associações de bairro, associações de pais e mestres, sindicatos, ou qualquer outra forma de organização da sociedade civil.Quando se atua em conjunto, exerce-se uma maior expressividade na utilização dos instrumentos, obrigatoriamente, oferecidos pelo poder público, como, por exemplo: o orçamento participativo, que discrimina para a comunidade todo o investimento em infra-estrutura e recorre à mesma para definir prioridades de instalações.Devemos, assim, em nossa sociedade, ser solidários, ser compreensivos, ser voluntários, ser pró-ativos, para construirmos um futuro de justiça e igualdade social, em que as condições essenciais para a vida (alimentação, moradia, vestuário, lazer, saúde e segurança) possam ser comuns a todos.Desse modo, nosso ser solidário, organizado e politizado fará com que não sejamos mais fantoches manipulados pelo poder público e pelo mercado, mas sim sujeitos da nossa própria história, lançando para o futuro contribuições ao bem comum, através do fortalecimento comunitário. Saudações solidárias

A arte de pensar criticamente

Pensar. O dicionário Luft, 2000, nos define tal verbo como “refletir; raciocinar; cogitar; meditar”. Quando aguçarmos essa ferramenta tão preciosa que torna a existência terrena harmoniosa, perceberemos toda a trama de relações existentes entre as coisas vivas que compõe o planeta terra.Desse modo, tem início um pensamento crítico, que questiona imposições e nos torna capazes de fazer escolhas, cada vez mais sensatas, para a utilização do meio que nos cerca, contestando a possível alienação que nos acomete os meios de comunicação e todo o ambiente cultural que, em alguns casos, trata de reproduzir um modelo de humanidade que não vem dando certo, visto os problemas socioambientais.Sem um pensamento crítico reflexivo, corremos o risco de absorver incontestavelmente ponderações que circulam no meio social. É fácil perceber pessoas repetindo a opinião de pessoas influentes, sejam do rádio ou da televisão, que, em muitos casos, não passam de opiniões superficiais.Será que realmente pensamos como eles ou estamos apenas reproduzindo seus pensamentos? Ser aberto a pontos de vista diferentes do nosso é importante, mas sempre buscando formar nossa própria opinião.Podemos citar um caso de reflexão crítica quando notamos que tantos brasileiros contestam as decisões de Carlos Alberto Parreira no que diz respeito a como dirigir a seleção brasileira de futebol. Assim, temos em nosso País um plantel de cidadãos técnicos de futebol, capazes de opinar com certa expressividade sobre nossa Seleção.Não achamos que isso seja ruim, pois é também um exercício na arte de pensar. O problema é que não poderíamos nos limitar ao esporte. Imagine se toda a nação se preocupasse da mesma forma com os problemas oriundos da questão ambiental em suas dimensões social, cultural, política, econômica e natural que estabelecem relações indissociáveis.Se fizéssemos isso, em vez de milhões de técnicos, teríamos milhões de cidadãos críticos e politizados envolvidos efetivamente com o futuro do nosso País. Precisamos buscar um maior sentido nas relações que estabelecemos, não devemos ter medo de pensar de modo sistêmico, complexo (onde as partes que compõem o todo se encontram relacionadas) e lutar por meios legais por aquilo que acreditamos. Que possamos em casa, hoje, desligar a televisão por alguns minutos e meditar, refletir, julgar, supor e raciocinar sobre a questão ambiental e suas relações, inclusive, com a nossa vida pessoal e familiar, e nos perguntando: Que tipo de cidadãos estamos formando?Não vemos melhor sentido à vida do que lutarmos para deixá-la melhor do que quando aqui chegamos. O legado que deixamos para nossos filhos deve ser sempre melhor do que aquele que recebemos de nossos pais, não uma herança material, mas sim sentimental, emocional, na qual valores como compaixão, solidariedade e politicidade levem as futuras gerações a crescer com um pensamento orientado, para que as coisas exteriores prestem-lhes concursos (ex: isso eu faço, porque ajuda o próximo, isso eu não faço, porque pode prejudicar alguém).Assim, abriremos caminhos que levarão a humanidade a reproduzir a arte de pensar criticamente, percebendo a relação de causa e efeito inerente a todas nossas ações cotidianas.

"Humanidade avançada"

Há quem diga que a humanidade está avançando a cada dia. Ao acompanharmos os noticiários, percebemos que: inovações tecnológicas, novas drogas contra doenças se fazem cada vez mais presentes. Tudo indica que realmente estamos avançando.O estudo da genética, por exemplo, vem aperfeiçoando-se constantemente. Seremos algum dia capazes de (re)criar a espécie humana? Mas, afinal, o que seria uma humanidade avançada?Comecemos analisando nosso padrão de vida, de repente, somos bem-sucedidos, e podemos usufruir todos os benefícios que a ciência e a tecnologia podem nos oferecer, como: carro do ano, a cura para nossas enfermidades, e é claro, todo o aparato de segurança contra marginais.Marginais (a margem da sociedade), que por sua vez são fruto de “nossa humanidade avançada”. Desse modo, como pensar em avanço sem liberdade? Como pensar em avanço sem igualdade social?Para que toda essa ciência e tecnologia, quando as mesmas não conseguem atingir todos os cidadãos? E ainda faz com que os mesmo sintam-se infelizes, irrealizados, quando não conseguem atingir todos os patamares cobiçados pela “humanidade avançada” é bem provável que nesse cenário tais cidadãos, especialmente os mais jovens cheios de esperança avancem em seu estado de embriaguez e de entorpecimento (falta de ação).A humanidade está realmente avançando? Para onde? Onde está a sabedoria, o amor, a fraternidade, a solidariedade e o companheirismo? Estariam esses valores se perdendo diante de todo nosso avançado conhecimento?Nosso avanço, na verdade, só se faz perceber no decorrer dos anos. Lá se foi o século 20 e se inicia o século 21. As mudanças já estão sendo sentidas a largos passos, filhos ensinam aos pais a era da Internet, da informação e se perdem num mundo sem limites, onde o conhecer não vem sendo traduzido em sabedoria, ápice de uma humanidade realmente avançada, que se esforça para construir uma sociedade mais igualitária, segue, que não podemos balizar-se simplesmente na ciência e nas inovações tecnológicas para nos pensarmos avançados.Pois, como pensar em uma humanidade avançada quando quem decide nosso futuro é uma minoria e a grande massa segue seu destino de excluído sem ferramentas, sem subsídios para pensar-se como sujeito crítico, ativo e capaz de ação política, uma vez que a grande maioria do nosso sistema de aprendizagem, ou seja, todo nosso contexto cultural trata de reproduzir a “humanidade avançada” restringida a condomínios fechados e carros blindados. Devemos, nos preocupar em formar cidadãos comprometidos, que se organizem em comunidade, que lutem pelos direitos e deveres presentes em uma sociedade democrática, acompanhando o trabalho do poder público, caminhando juntos na construção de uma “humanidade avançada” que compartilha, reflete criticamente e solidariza com os menos afortunados contribuindo com sua autonomia, emancipação para que a ciência e a tecnologia se tornem cada vez mais popularizadas, e em conjunto com a tão desejada sabedoria, possam ser utilizadas para o bem comum. Saudações solidárias

Arborização: um bem comum

Araraquara já obteve o título de uma das cidades mais arborizadas do País. Qual a importância de tal título? O que fazer para resgatá-lo ou até mesmo preservá-lo?Esta é a pergunta que devemos fazer, para que possamos proporcionar aos nossos descendentes a oportunidade de usufruir da mesma qualidade de vida que nossos antepassados tão bem conheceram, descansando na sombra de uma árvore em um dia de sol escaldante, sentindo o refrescante cheiro do verde em uma bela manhã de domingo. Quando os sons dos pássaros ganhavam destaque e nós entrávamos em contato com nossa natureza primitiva.Devemos todos esses grandes momentos às belas árvores que enfeitam e proporcionam qualidade de vida à nossa cidade, pois uma árvore não deve ser simplesmente vista como um objeto estético, mas sim como parte integrante e essencial para nossa vida. Um exemplar desse ser vivo pode abrigar um grandioso ecossistema (onde as coisas dependem uma das outras).Você já reparou nas plantas que necessitam de sombra e, portanto, precisam delas para sobreviver? Já reparou a quantidade de pássaros que no alto das copas das árvores se abrigam e consomem seu alimento? E, claro, em como nós seres humanos, somos usuários incondicionais de seu indispensável produto: o oxigênio?O ditado diz que um homem para se tornar realizado deverá plantar pelos menos uma árvore; no entanto, o simples fato de propagar e ensinar essas pequenas atitudes ainda não terá grande repercussão.É preciso assumir nossas responsabilidades como cidadãos críticos e ativos, não esperando apenas ações do poder público. Devemos nos tornar sujeitos de nossa própria história ao contribuir efetivamente com a arborização da nossa cidade.Assim, seremos compensados com a manutenção ou recuperação de um título que tanto nos honra e colaborar para a perpetuação da vida em níveis satisfatórios e não nos contentando apenas com nosso título, daremos exemplo de cidadania e contribuição à qualidade de vida. Desse modo, teremos orgulho de mostrar nossa Araraquara como uma cidade arborizada, fruto de uma ação cidadã e respeitosa para com a vida das árvores, tão indispensável ao bem comum. Saudações solidárias.

Ufa! No meu condominio deu certo

Ao ter me instalado num condomínio, procurei implementar a triagem de materiais recicláveis. Identifiquei o local de depósito e nos corredores do condomínio espalhei cartazes tentando chamar a atenção para o quanto é importante a coleta seletiva.Após alguns dias de sucesso na coleta, com o material sendo entregue à nossa vizinha, Dona Maria, os lixos e os materiais recicláveis foram novamente misturados.Foi então que me contentei com a separação dos meus materiais recicláveis e foi assim que, durante meses, pude contribuir com Dona Maria. Claro que já não era a mesma contribuição de antes mas, ainda assim, significativa.O tempo passou e, desta vez, em companhia do meu vizinho de condomínio, identificamos novamente os recipientes para recicláveis. Foi o empurrão para que a separação de materiais retornasse a todo vapor e, é claro, que a renda mensal da Dona Maria e a preservação dos recursos naturais também iriam aumentar.Não deu certo na primeira experiência porque eu queria resolver sozinho. Quando compartilhei o problema com meu vizinho, ganhamos força, já não era apenas uma iniciativa isolada, mas sim duas iniciativas estabelecendo relações dialógicas e aprendendo com as diferentes abordagens para um dado problema.Ainda hoje pude observar material reciclável no lixo comum, mas isso não me desanimou. Ao contrário, me deu ânimo ao ver que o latão dos recicláveis estava lotado. Lembrei-me, nesse instante, de um provérbio chinês que diz: “mais vale acender um fósforo do que amaldiçoar a escuridão”.No entanto, vale lembrar que é muito bom termos a iniciativa de separar nosso lixo dos materiais recicláveis, mas devemos lembrar que o grande problema está em consumir cada vez mais lixo, em vez de materiais recicláveis.Você olha o preço do produto? Você olha a data de validade? Por que não olhar para a embalagem? Saiba se ela pode ser reciclada. Alguns exemplos serão citados para se visualizar o consumo de lixo. Cabe ressaltar que entendemos como lixo tudo que não tem mais utilidade para o ser humano, portanto, material reciclável não é lixo.Sabe aquelas bandejas de um material parecido com isopor, freqüentemente utilizadas nos mercados? Elas não são recicláveis. Onde você acha que vai parar sua bandejinha? Existe uma grande variedade de produtos no mercado, por que não, com tantas opções de escolha, dar maior relevância ao fato da embalagem ser ou não reciclável?Faça um exercício de reflexão, perguntando a seus familiares mais velhos como eram feitas as compras; pergunte sobre as embalagens utilizadas e compare os diferentes períodos, tentando imaginar a quantidade de lixo e de materiais recicláveis que geramos todos os dias. O que você faz com ele?Reciclar é considerar a angústia do próximo (compaixão), promover a participação solidária e contribuir com a manutenção da esperança de um mundo melhor a nossos descendentes. Saudações Solidárias!

Re-encantar o ambiente ou alimentar o individualismo

A vida moderna nos tem levado a um padrão de comportamento individualista. Estamos rompendo cada vez mais com a história dos primeiros primatas, que se uniam a um determinado grupo para obter maiores chances de sobrevivência e tinham na contemplação da natureza uma fonte de aprendizado.Quem já ouviu falar das famosas histórias de conto de fadas, em que ambientes encantados eram palco dos que viviam felizes para sempre? Tais recordações nos inspiram a uma certa nostalgia que nos faz pensar: felizes eram aqueles que viviam em completa harmonia com o ambiente natural, num caminhar lento, romântico e contemplativo.Temos nos distanciando cada vez mais desse padrão de felicidade nostálgico, pois o avanço tecnológico e a falta de segurança levaram o ambiente natural para dentro de nossas casas através dos meios de comunicação, tornando-nos cada dia mais individualizados. Por outro lado, a qualidade de vida tem se apresentado nos momentos compartilhados, na harmonia com o ambiente e nos compromissos sociais.Apenas assumindo nossa humanidade comum e possivelmente harmoniosa seremos capazes de usufruir da fonte de paz e doçura presentes nos ambientes. Contudo, como vimos, os cenários apresentados na modernidade tendem a proteger cada vez mais o ser humano das intempéries apresentadas pela questão ambiental, em sua dimensão política, natural, econômica, tecnológica e social, incentivando a uma certa cultura de desencantamento da natureza.Tendemos a viver cada vez mais numa redoma de vidro, onde podemos dizer: aqui sim estou livre das intempéries da questão ambiental, incluindo, é claro, toda segurança contra marginais fruto também de nosso excessivo individualismo e descomprometimento com os problemas sociais.Cada vez mais temos vivido à frente de computadores, videogames e televisores, acostumando, assim, a nova geração a se individualizar. Nas ruas das cidades o simpático cumprimento entre vizinhos vem a cada dia se esfacelando, pois não mais me reconheço no outro, não me reconheço na natureza, vivemos como um objeto mecânico, objetificando a natureza e as pessoas, que passam a ter valor apenas pela sua utilidade. O compartilhamento comunitário vem deixando de ser interiorizado, ocasionando um sério problema de descomprometimento. Para sermos capazes de nos recuperar de tais caminhos tortuosos, como no caso da onda de violência que assola todo o Estado, devemos propagar uma missão de contemplar o ambiente e aprender com tal harmonia, resgatando o verdadeiro sentido de comunidade, onde as pessoas possam viver com o outro, pelo outro e para o outro, assumindo uma posição crítica em relação às leis que regem toda nossa sociedade, para que, assim, os municípios, o estado e o País possam gozar de certa qualidade de vida. Cabe ressaltar que ter apenas boa vontade não é suficiente; é preciso se envolver de forma ativa e satisfatória na construção do nosso futuro, cientes dos direitos e deveres presentes em uma sociedade democrática, que não se resumem ao voto popular, mas acompanha e cobra a todo instante do poder público uma gestão compartilhada e transparente. Esta empreitada será compartilhada por aqueles que ainda conseguem se sensibilizar com os problemas oriundos da questão ambiental, por não estar com olhos e mentes apenas voltados ao virtual, ao nacional, ao global, mais sim ligados ao local, ao real, onde o ambiente é contemplado e exaltado em seus mistérios, em sua divindade, em sua complexidade, e em suas injustiças decorrentes das relações sociais e econômicas, que instiga violência e nos aprisiona dentro de nossas próprias casas.

Nossos companheiros coletores



Você conhece seu bairro? Conhece suas carências? Sabe com o que as pessoas trabalham? Já passou pela sua cabeça que poderia ser com a separação de materiais recicláveis e que você poderia ajudá-los? Que tal uma sugestão? Conheça seu bairro, recolha seu lixo reciclável e entregue ao seu companheiro, ou marque com ele alguns dias da semana para serem feitas as coletas.Não podemos, simplesmente, esperar ações do poder público, que vem contribuindo na coleta seletiva do município, precisamos de você, cidadão crítico e comprometido, para que ajude a suprir as necessidades dos seus companheiros. Quem sabe assim você e seus filhos conseguirão ter um pouco mais de paz ao caminhar pela cidade, quando os filhos dos companheiros estiverem bem nutridos e com condições para estabelecer-se como ser social, podendo lutar pela sua sobrevivência por meios legais e formais. Nossa omissão de hoje pode se tornar nossa tragédia no amanhã. O que será do futuro dos filhos dos coletores? Podemos contribuir com sua formação?Uma coisa é certa: solidarizando nosso bairro, a partir de valores altruístas (amorosos), contribuiremos com o aperfeiçoando de nossas relações com o ambiente em seus níveis natural, político, social e cultural, que estabelecem conexões indissociáveis. Vejamos o seguinte exemplo: ao encaminharmos nosso lixo reciclável ao nosso companheiro de bairro, desencadeamos uma série de reações no ambiente, ao começarmos pela proteção do ambiente natural, pois, como sabemos, a reciclagem diminui a demanda por recursos naturais não-renovavéis e minimiza a degradação do solo e dos lençóis freáticos decorrentes dos lixões. Em se tratando da questão política, através de nossos testemunhos solidários daremos exemplos de cidadania, e na perspectiva do ambiente social, contribuiremos com a distribuição de riquezas, melhorando assim a qualidade de vida das famílias brasileiras que vivem em situação de exclusão social.Já no ambiente cultural será propagado o ideal comunitário tão presente em toda a história do ser humano, hoje encoberto pela cultura individualista. Desse modo, contribuiremos para a tão almejada qualidade de vida, distanciando-nos da degradação ambiental e das desigualdades sociais, construindo um bairro, um município, um estado, uma nação e um planeta participativo pautado na emersão de valores democráticos, que cobram do setor público, mas não deixam de contribuir quando podem fazer a diferença em sua localidade. Essa é nossa chance de construir uma nova realidade deixando de apenas julgar terceiros e, sim, assumindo nossas responsabilidades como um cidadão planetário, comprometido com as gerações futuras, onde nossos filhos e nossos netos poderão gozar de um mundo fraterno e solidário. Para isso é preciso que você cidadão seja capaz de dizer: “eu conheço meu bairro e nele exerço a cidadania, estabelecendo relações solidárias”.Devaneio, utopia, é o que podem parecer tais encadeamentos de palavras, mas sem elas não poderemos transformar nossa realidade de injustiças. Acredito que essas palavras soam como algo irrealizável, apenas para quem erroneamente acha que está livre dos malefícios do ambiente. Por outro lado, quem se percebe inserido num ambiente que lhe causa danos, compartilhará conosco essa utopia realizável.Podemos nos motivar a posturas solidárias quando acreditarmos na força que um grupo de cidadãos comprometidos têm para transformar a realidade, pois, de fato, são apenas esses grupos que a têm transformado. A pretensão desse artigo não é a de ser concluído nessas linhas, mas de acompanhá-lo em suas reflexões no decorrer de seu cotidiano. Saudações solidárias. E lembre-se: você tem um compromisso para com os companheiros coletores.

Reflexão sobre a realidade



Aquilo que vemos é a realidade? Será que ela sempre foi assim? Será que sempre vai ser assim? Esses são temas que nos motiva a pensar, pois muitas vezes usamos em nosso cotidiano o termo “caia na real”.
Mas afinal, o que é a realidade? A cultura permite-me tecer algumas reflexões que podem ter sentido apenas para mim e para alguns outros que tiveram experiências semelhantes.
Sendo assim, podemos afirmar que não existe uma realidade, mas sim realidades, mas se me permitem amigos (a) leitores (a), quero compartilhar parte da minha realidade dizendo: vivemos em um mundo de opressão psicológica, que se traduz por uma busca desenfreada por mais, onde muitos vivem pensando: “eu quero sempre mais”.
Entretanto, até que ponto tenho que querer sempre mais, será que esse pensamento embutido no seio de nossa cultura é saudável? Quero sempre mais, o que? Para que?
Quando conseguirmos refletir criticamente sobre tais questionamentos poderá ficar um pouco mais claro quais são nossas responsabilidades sociais na realidade que percebemos, deixando de lado posturas egoístas.
Nunca me perguntaram se quero viver nessa realidade, mas mesmo assim estou totalmente inserido nela, a não ser que mude meu padrão cultural e passe a viver nas montanhas, em lugares afastados, contentando-me apenas com o básico para minha existência, o que com certeza estaria um pouco mais em harmonia com a natureza, pois a mesma, vem nos impondo limites em relação ao “eu quero sempre mais” (consumismo).
Porém um grande passo já está sendo dado, quando refletimos sobre o assunto, pois apenas assim, construiremos novas realidades que denuncie a estrutura deshumanizante e anuncie uma estrutura humanizante.
Não tecerei reflexões conclusivas, essa é apenas minha forma de enxergar a realidade. Sua forma de pensar pode ser completamente divergente, mas tenho certeza que você amigo (a) leitor (a) respeitará minha posição, afinal esse é meu modo de pensar parte da realidade. Qual o seu? Envie sua reflexão ficarei feliz em respondê-la.

Que mundo maravilhoso - O meio Ambiente em cada um de nós.

O meio ambiente começa a ser construído dentro de cada um de nós através das relações que tecemos no decorrer dos nossos dias. A construção de um meio ambiente saudável, por sua vez, será ditada pela qualidade dessas relações.
Façamos então algumas considerações sobre as relações humanas. Quem cresceu, por exemplo, em um abrigo social, constrói um sistema de valores e conseqüentemente de atitudes diante da vida de modo diferenciado dos meninos que cresceram em um bairro de classe alta.
No entanto, não significa que uma postura, ou conjunto de valores sejam melhores que os outros, temos que perceber que eles são apenas diferenciados.
Nesse sentido, devemos considerar que não existe saber mais nem saber menos, mas sim diferentes saberes, que estabelecem relações de diálogo e se complementam. (Paulo Freire).
Dentro desse contexto, construiremos relações repletas de sensibilidade para com o saber do outro, respeitando seus valores e suas atitude ao enxergá-lo como um “produto” do ambiente.
Teilhard de Chardin, diz que: “pelo aumento da sensibilidade para o outro se mede o progresso de uma civilização”, pois passamos a contemplar o ambiente propondo soluções para amenizar os problemas encontrados no mesmo.
Assim, naturalmente, estenderemos nossas propostas para todas as coisas vivas presentes no meio ambiente. Por exemplo, ao vermos um coletor de materiais recicláveis e a natureza passando por dificuldade se sensibilizaremos com tal situação e ajudaremos ambos a melhorar suas condições.
E ao protegermos a dignidade da vida, seremos presenteados com seu encanto, que nos ensina sobre o respeito às diferenças e sobre a passagem do tempo em seu ciclo de nascimento, amadurecimento e morte.
Tal ciclo, quando visto sob a perspectiva da eternidade, é apenas mais um acontecimento, que nos ajuda a refletir sobre a construção de uma vida interior cada vez mais harmônica e sensível em relação as nossas relações interpessoais.
Tal harmonia interior produzirá um meio ambiente saudável, repleto de paz, justiça, democracia e proteção da natureza, assim quem sabe um dia possamos sentir as belezas da vida e cantar como Louis Armstrong em sua bela canção: “What a worderful world” (Que mundo maravilhoso).

Os Valores de Narciso

Caminhava pela rua, Narciso, homem recém chegado do interior com fome e sede de reconhecimento. O humanismo, a preocupação com a angústia do próximo era sua filosofia de vida, por isso, percorrias as ruas desolado com o descaso pelos marginalizados.
Passado algum tempo na cidade grande, sentiu saudades de sua cidadezinha, pois passava por grande dificuldade material.
Mas um dia o sucesso “bateu em suas portas”, utilizando a arte de escrever poemas, compôs uma bela música retratando sua admiração por uma antiga paixão e ficou famoso.
Depois disso, passou, a freqüentar festas da moda e ganhou destaque na mídia com suas novas composições que atingiam diretamente todo tipo de público, todos se identificavam com sua música.
Teve momentos gloriosos, ganhou muito dinheiro e esqueceu-se dos valores humanistas que tanto cultivava, pois não tinha mais tempo para tais pensamentos altruístas, o mundo dos negócios o consumia cada vez mais.
Assim, passou grande parte de sua vida vivendo a glória efêmera (passageira) do mundo. Quando, o destino lhe pregou uma peça, suas músicas passaram a não mais fazer sucesso e seu hábito de gastar mais do que devia nas compras o endividou.
Desse modo, Narciso novamente passou por dificuldades, aflito, olhava para os lados e ninguém mais percebia sua presença, tornou-se novamente um anônimo, pode então, sentar-se visivelmente tranqüilo em frente ao mar, e ponderar sobre o que fizera de sua vida, sobre o quanto havia mudado.
Foi quando se lembrou de uma frase de um antigo pensador, que calou fundo em sua alma e o fez relembrar do antigo Narciso humanista, do qual o mesmo sentia saudades.
A frase dizia: “a desvalorização do mundo humano aumenta em proporção direta com a valorização do mundo das coisas” Karl Marx.
A partir desse momento, Narciso passou a pensar que: nenhum bem material e nenhuma glória do mundo iria tirar sua preocupação e sua pró-ação para com a solução dos problemas sociais. O mundo das coisas, dos bens, não conseguiria mais fazer com que desvaloriza-se as relações humana e todo o mundo vivo.
Narciso tornou-se um grande compositor e falava a todos que quisessem ouvi-lo. Sua motivação principal, seu entusiasmo, era a certeza de que estar a serviço do próximo conduziria a paz.
A glória do mundo “bateu em suas portas” por outras vezes, mas ela não mais o atraia. Narciso continuava seu trabalho, contido e discreto, procurando a paz na vida de simplicidade e no exercício da compaixão.