Qual o valor da vida? Será encontrado na natureza seu verdadeiro valor? Ou apenas em relações monetárias? Temos falado sobre a perda de valores, mas estamos errados. Temos cada vez mais valores incorporados, é claro que não o mesmo valor que pensa a vida, mas sim um valor monetário, onde tudo passa a ter preço e tudo pode ser comprado. Diante desse contexto, ouvimos o famoso dito popular “dinheiro não traz felicidade, manda buscar”. As pessoas se esqueceram que o valor capaz de nos trazer felicidade deve ter base em sentimentos como compaixão e solidariedade, que nos permitem compartilhar a experiência de viver no planeta terra. Algumas pessoas, pensando apenas na arrecadação monetária, no individualismo, colocaram esses valores como fonte de felicidade e realização pessoal. No entanto, como nos sentirmos realizados quando não nos percebemos, numa rede de relações, em que nos apresentamos como parte interdependente e quando milhares de pessoas sofrem diante da exclusão social?Apenas na natureza reconhecemos o verdadeiro valor, ou, pelo menos, os valores mais soberanos, o valor de se ter vida, de ter conseguido sobreviver, o valor do desabrochar de uma sabedoria que pouco ainda conhecemos, e que nos põe diante de um mistério que simplesmente não pode ser mensurado em valor monetário.Porém, certo desrespeito com a natureza harmônica é o que nos querem “fazer engolir” quem não consegue enxergar-se como parte do problema, e ainda, quem não consegue sentir todas as dores do mundo ao ver uma criança abandonada, a degradação ambiental e a guerra que maltrata inocentes.Definitivamente não é essa natureza humana rude que necessitamos para construção de um mundo novo; deixemos à lei dos mais fortes, para regulação dos animais irracionais, que faz dela fator de sobrevivência. Agora, nós, seres humanos, por que sermos sempre os mais fortes? Dependemos disso para sobreviver? Será que a natureza selvagem ainda se encontra presente e existem aqueles que se acham “o rei da cidade”?Até quando vamos exaltar essas pessoas como os melhores, os mais fortes, quando apenas são mais uma no meio da multidão. Afinal, todos somos iguais perante a natureza, todos temos o direito de desfrutar dos prazeres e das condições dignas, que ela nos é capaz de oferecer.Até quando vão nos impor como soberanos: até quando aceitaremos os valores monetários exorbitantes utilizados para “comprar felicidade”, deixando o resto da humanidade sem condições dignas? Olhemos a natureza, em seu equilíbrio, em sua eternidade, fazendo um contraponto com nossa breve existência no planeta terra. Assim, poderemos perceber toda nossa pequenez diante da grandeza do universo e questionar alguns valores fúteis que nos vem impondo a sociedade, como arrecadações monetárias exorbitantes ancoradas no individualismo, que degradam, maltratam e não aliviam o sofrimento dos mais necessitados e da nossa grande mãe-terra, que nos honra com sua beleza e perfeição, mas requer solidariedade e compaixão.
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