terça-feira, 24 de março de 2009

As potencialidades presentes na natureza.

A lagarta transforma-se em uma borboleta.

Acredito que nossa tendência seja a de reproduzir estados mentais consecutivos, assim, programamos nosso cérebro para repetir um estado emocional e vamos, quase que patinando, voltando sempre aos mesmos estados mentais e as conexões químicas que nosso cérebro está acostumado a produzir.
Cada ato, cada situação vivida, cada substância ingerida, aciona os estados mentais e as conexões provenientes dos seus estímulos. Sendo assim, não somos apenas viciados em substâncias tóxicas, mas em estados mentais. Podemos ser, por exemplo, viciados em nos sentirmos tristes.
Assim, perdemos parte do potencial criador que a natureza nos oferece e só conseguiremos acessá-lo quando deixarmos de lado as conexões químicas e os estados mentais já conhecidos para experimentar outras possibilidades.
Caso queiram seguir por este caminho, tente por algum período esquecer-se do futuro e do passado, e se concentrem no presente, no único momento que, de fato, existe. Conforme os dias forem passando, vocês irão perceber como a natureza estimula a criação, a transformação, o novo. Lembrem-se: vocês são a natureza.
Experimente uma nova experiência, concentre sua atenção no presente, abandone por um instante os estados mentais e as conexões químicas corriqueiras e insira-se no campo das possibilidades e das potencialidades do vir a ser.

terça-feira, 17 de março de 2009

A dimensão poética da educação ambiental.

O ambiente natural propicia um momento de reflexão sobre a vida, a felicidade, a eternidade, e pode ser utilizado pelos educadores para fazer emergir sentimentos até então desconhecidos para os seus “educandos”. Escrever poemas é uma destas formas.
Acredito que a expedição no ambiente natural pode abrir caminhos para o “conheça-te a ti mesmo” Socrático, contribuindo para realização do ser humano, pois ao conhecer-se o ser humano pode adquirir informações para viver do modo que mais lhe agrada.
A seguir segue meu poema fruto de uma experiência no ambiente natural (mar/praia). Vocês poderão ver algo parecido no texto do Rousseau “Devaneios de um passeante solitário”.

Felicidade no balanço do mar.

Nada há de sólido a que possa o coração prender-se
Ligados a objetos exteriores conseguimos apenas a felicidade que passa
Mas como podemos chamar felicidade um estado fugido
Quando precisamos de coisas exteriores para nos dar sentido?
Assim, freqüentemente, somos atacados por ondas
Onde o coração pensa: “quisera que este momento durasse para sempre”
Como se o sentimento de nossa simples existência não bastasse para nos completar;
É preciso concurso para lidar com as coisas exteriores
Sem agitação demasiada, nem letargia indolente
Busquemos no equilíbrio, o balanço
Visando um grande oceano atravessar
Olhemos a beleza do ser
E com força lutemos com o mar;
Um oceano de objetos imanentes
Invadem nossa mente
E em nossa ilha, a felicidade do “ser” conseguimos encontrar.

O turismo solidário: uma experiência significativa

O turismo solidário é uma modalidade de turismo em que o viajante coloca seus saberes, seus talentos a disposição das localidades visitadas e experimenta um contato íntimo com a cultura local através da hospedagem em um receptivo familiar.
Pratiquei esta modalidade de turismo em janeiro de 2009. Este é meu atual tema de estudos. Parto da premissa, que esta pode ser uma experiência com um alto poder educativo, uma vez que nossa percepção sobre a realidade pode ser ampliada através dela.
O turismo solidário trouxe uma experiência enriquecedora para minha vida. Em minha viagem pude perceber-me em um local com sérias dificuldades econômicas, mas com uma natureza exuberante, uma cultura peculiar e uma organização comunitária fantástica.
Estar lá abriu caminho para uma reflexão sobre meus valores e os valores vividos na sociedade atual, permitiu uma expedição aos “mistérios” da vida em contato com a natureza e aos “mistérios” que envolvem a satisfação do ser humano pelo reconhecimento e participação em uma comunidade.
Fez lembra-me que a vida vivida com simplicidade pode ser mais atraente do que aquela com muita sofisticação, uma vez que o ser humano é colocado sempre em primeiro plano na busca da satisfação. O contato com as pessoas do Vale do Jequitinhonha, local da minha viagem, foi o que mais me marcou.
Vivi por um tempo em contraposição a uma vida onde objetos, produtos estão sempre intermediando as relações interpessoais, onde, freqüentemente, somos o que consumimos, ou o que sabemos. Vivendo assim, corremos o risco de construir um mundo frio e desumano.
Praticar o turismo solidário foi uma “explosão” de sentimentos humanistas, onde o elemento humano está sempre em primeiro lugar independente das condições materiais e intelectuais dos mesmos.
E é por estes e por outros motivos, que não foram revelados, porque são difíceis de serem expressos, é que considero o turismo solidário uma experiência altamente significativa para construirmos um mundo mais humano, mais fraterno onde a justiça gere a paz tão almejada pelas famílias brasileiras.