quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O Brasil rural contemporâneo em foco


Diversidade de cores, movimentos, sonhos e encantos. Os gaúchos, os paulistas, os pernambucanos e os amazonenses marcam os sotaques do Brasil rural contemporâneo.
Depois da curva um novo cenário é anunciado. A agricultura familiar brasileira aparece com força. Antes da curva encontra-se o grande proprietário de terra e sua monocultura, que apesar de seus benefícios econômicos ao país, na maioria dos casos se traduz em degradação ambiental, má utilização do solo, vasta utilização de fertilizantes, agrotóxicos e baixa remuneração dos funcionários.
No entanto, minha intenção neste ensaio não é focalizar o cenário da monocultura brasileira, mas enaltecer a diversidade da agricultura familiar – que não está totalmente livre dos problemas citados acima.
Em alguns casos, neste tipo de agricultura, a cultura local se combina com a utilização dos recursos naturais para produzir o sustento familiar e gerar lucro com as vendas dos excedentes. Renda esta fundamental na “renovação” dos processos produtivos que abastecem a maior parte do território brasileiro e que permite aos agricultores comprar alimentos que eles não conseguem produzir em suas propriedades.
As experiências da agricultura familiar brasileira têm mostrado força quando permeadas pela cooperação entre os produtores e pelo apoio dos consumidores que sensibilizados dão preferência a esses produtos fazendo assim circular o dinheiro em uma esfera regional.
No Brasil Rural contemporâneo, além do cultivo do solo, o artesanato ganha espaço e através da arte de um povo lança caminhos para o fortalecimento da identidade local e nacional.
Este Brasil, focalizado nestas breves reflexões, busca seu espaço, não apenas de terra, mas de valorização dos seus charmes, cores e tessituras para que as populações destes locais permaneçam no campo compondo a aquarela do Brasil invés das filas de desempregados nas grandes cidades.

domingo, 4 de outubro de 2009

O labirinto




A via era em ziguezague, assim como nos dias de confusão. No entanto permaneci em linha reta, pois tinha um objetivo a ser alcançado; a todo instante lembrava: “caminhante, não existe caminho, o caminho se faz ao caminhar”.
Estas foram minhas reflexões em direção a favela Tavares Bastos no bairro do Catete na cidade do Rio de Janeiro. As vielas e as rotas desconhecidas logo apareceram em minha frente, não havia mais nomes de ruas, nem numeração ordenada nas casas.
Depois de um momento de apreensão – apesar da favela abrigar um batalhão do Bope – e de conversas com alguns moradores, cheguei ao meu destino; um hotel chamado de The Mazze (O labirinto), no qual se hospedam, principalmente, turistas estrangeiros. Segundo informações do proprietário – um inglês que mora a 20 anos no Brasil – a favela não tem tráfico de drogas, nem pessoas armadas circulando, como outrora pude perceber na favela da Rocinha.
Entrando no hotel me deparei com uma bela paisagem da varanda (Pão de açúcar ao fundo). Depois da entrevista segui rumo à casa de outro morador. No caminho encontrei um policial do BOPE em seu horário de almoço, ele fazia um trabalho voluntário. Parei um instante para conhecer o trabalho e “ganhei” a companhia de um dos participantes do projeto durante minha caminhada. Desse modo, conheci melhor o local, onde moravam escravos e foram gravadas cenas do filme “Tropa de Elite”, “Incrível Hulk”, “Vidas opostas” (novela da Record) entre outros eventos.
Estive na localidade investigando os significados da atividade turística que acontece ali. No entanto, tive um dia atípico e cheio de surpresas. Ao contrário do que havia acontecido em algumas outras pesquisas de campo que realizei – cujos resultados poderão ser conhecidos em publicações acadêmicas –, tive oportunidade de ampla interação com a população local e as pessoas que conversavam comigo eram amistosas.
Minha intenção neste ensaio é mostrar ao leitor(a) que estes espaços e as pessoas que ali se encontram não merecem ser estigmatizadas, ou melhor, qualquer pessoa que more em localidades consideradas “pobres” merecem respeito, consideração e atenção por parte do poder público e da sociedade civil para que consigam ter uma vida digna, pois compartilham o mesmo país e a mesma esperança de amor, paz e felicidade que nos une a família da espécie humana.




sexta-feira, 24 de julho de 2009

Rio de Janeiro em Cena - O Celular Vidrador

Um rapaz sentou-se no banco do velho ônibus que o levava para sua cidade natal. No peito um celular escorregava pelo seu corpo e parava onde nossa vida se desenvolve quando por um cordão somos ligados a mãe. Naquele local algumas células vibravam trazendo a mensagem da dor.
Depois de um tempo de viagem uma mensagem chegou ao seu celular. Seu velho amigo estava tentando se comunicar, mas não recebeu a resposta. O motivo da dor era o mesmo que não permitia a resposta.
O amigo queria saber por onde ele andava e com o que estava trabalhando, mas algum tempo depois soube através de um terceiro que o mesmo não trabalhava fazia um bom tempo.
O motivo da sua dor era fome e seu celular vibrava recebendo mensagens que induzia vergonha por tal situação. A célula não fazia mais sua função, pois faltava nutrientes para o seu funcionamento, mas o celular continuava a pedir sua atenção.
Dormiu em um dos ambientes mais aconchegantes que conheceu (banco inclinado do ônibus). Esqueceu a dor e viveu um sonho bom no qual a vibração do celular anunciava tempos melhores. A dignidade batia em seu portão com força e lembrava-se de responder a seu amigo dizendo que felizmente estava tudo bem.
Voltava para realidade e se via envolvido novamente pela vibração da célula, do celular. Esta era a verdade ou apenas sua mente que denunciava a insatisfação? Decidiu lutar, pensou em vender doces nos ônibus como fazia alguns dos seus amigos.
Desceu do ônibus. Chegou em casa com a célula e a dor, mas sem o celular, pois fora roubado na esquina, afinal o celular que vibrava era um ótimo produto a ser vendido para aliviar a dor de quem sem mãe não mais se alimenta de pão, mas da droga que o faz viver mesmo que por um instante em um sonho bom.

sábado, 6 de junho de 2009

Equilíbrio Natural

Sofremos quando novidades surgem no ambiente natural, pois frequentemente elas nos abalam e nos trazem desequilíbrios, o melhor exemplo são as mudanças climáticas. O que mais intriga, é que o nosso desequilíbrio é uma tentativa de equilíbrio da natureza.
A vida desenrola-se no caos, mas, assim como a natureza, a todo tempo buscamos o equilíbrio, um ambiente seguro, confortável e a certeza de que conseguiremos nos manter saudáveis. Mas onde está a certeza? Na ciência? Será possível conhecê-la?
Acredito que já passamos da época em que falávamos de certezas. Contudo, como lidar com um mundo incerto? Será que somos emocionalmente fortes para vivermos na incerteza?
Há tempos somos convidados a olhar para incerteza, na bíblia, por exemplo, encontramos a seguinte citação: “quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja a sua vida?” (Mateus, 6:27)
Já que a incerteza se faz presente, sugiro encontrarmos refugio na forma de olhar a natureza, pois as pistas necessárias para encontrarmos o equilíbrio e nos mantermos emocionalmente saudáveis estão ali presentes. Afinal, todo conhecimento produzido pelo homem teve origem na sua observação.
Pretendo neste ensaio inserir o leitor no seio da natureza e dizer que ela é maior que todos os nossos anseios, portanto, para evitarmos novidades desagradáveis que nos abalam, devemos deixar nossa posição de seres superiores a ela, pois desse modo, deixamos cada vez mais distantes as possibilidades dela encontrar seu equilíbrio, desequilibrando, assim, nossa própria vida.
Lembrem-se o equilíbrio da natureza é nosso equilíbrio, afinal o que somos, senão natureza. A humildade, a percepção da nossa pequenez diante da grandeza da Mãe-terra coloca o ser humano em um outro patamar perceptivo onde ele nunca será superior, mas sempre servo. O equilíbrio está em servir e aceitar a doação com reverência, assim ordenamos o caos e entramos felizes nos mistérios da vida enfeitada com os lírios do campo que não tecem nem fiam, mas são mais belos que qualquer homem a passar pela terra.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Ativos intangíveis e a questão ambiental.

Há tempos que os valores, a forma de lidar com os clientes são os aspectos que mais fazem a diferença para competitividade no mundo empresarial. Estas abordagens se caracterizam como ativos intangíveis (podem ser computados como um valor monetário da empresa) Em sentido contrário existem os ativos tangíveis que se resumem a toda estrutura física de uma empresa, as quais qualquer empresário pode ter acesso, basta que tenha dinheiro.
Os ativos intangíveis são fruto de algo que aparentemente não se pode comprar, nem são de fácil aquisição, pois como o próprio nome insinua não se pode tocá-lo. São bens produzidos pela empresa, mas que não estão à disposição do cliente de forma palpável apesar de circularem por seu imaginário e por sua emoção.
Dentre eles estão o modo com as pessoas cumprimentam seus clientes, como a empresa encara os problemas locais, como lidam com os seus fornecedores, como lidam com os seus funcionários, a marca da empresa. Pensemos na máxima: existem muitas coisas entre o ato de oferecer e o de comprar um determinado produto.
Deste modo, é no fortalecimento destes aspectos que as empresas modernas precisam ater-se, em outras palavras, são nos seus ativos intangíveis que se encontram os seus principais atrativos para que possam oferecer aos clientes produto únicos, diferenciados de todos os demais.
Neste sentido, acredito ser de fundamental importância que as empresas passem a se preocupar com a questão ambiental. Estes valores podem propiciar uma boa impressão diante da sociedade, visto que a preocupação com o meio ambiente aumenta a cada dia, e em todas as "rodinhas" tanto de clientes, como de fornecedores, se ouvem assuntos que envolvem tais temas.
Portanto, amigos (as) empresários (as) atenção aos ativos intangíveis. (Re) pensem os valores de sua empresa e diferencie-se no mercado através de ações comprometidas com a qualidade ambiental (dentre outras). Com certeza não será apenas a sua empresa que sairá ganhando.
Faça parte das "rodinhas" de conversas dos seus fornecedores, dos seus clientes, e aguardem, pois logo sua empresa estará povoando o imaginário deles e fazendo parte do seleto rol de entidades que contribuem com a construção de um mundo melhor.

terça-feira, 24 de março de 2009

As potencialidades presentes na natureza.

A lagarta transforma-se em uma borboleta.

Acredito que nossa tendência seja a de reproduzir estados mentais consecutivos, assim, programamos nosso cérebro para repetir um estado emocional e vamos, quase que patinando, voltando sempre aos mesmos estados mentais e as conexões químicas que nosso cérebro está acostumado a produzir.
Cada ato, cada situação vivida, cada substância ingerida, aciona os estados mentais e as conexões provenientes dos seus estímulos. Sendo assim, não somos apenas viciados em substâncias tóxicas, mas em estados mentais. Podemos ser, por exemplo, viciados em nos sentirmos tristes.
Assim, perdemos parte do potencial criador que a natureza nos oferece e só conseguiremos acessá-lo quando deixarmos de lado as conexões químicas e os estados mentais já conhecidos para experimentar outras possibilidades.
Caso queiram seguir por este caminho, tente por algum período esquecer-se do futuro e do passado, e se concentrem no presente, no único momento que, de fato, existe. Conforme os dias forem passando, vocês irão perceber como a natureza estimula a criação, a transformação, o novo. Lembrem-se: vocês são a natureza.
Experimente uma nova experiência, concentre sua atenção no presente, abandone por um instante os estados mentais e as conexões químicas corriqueiras e insira-se no campo das possibilidades e das potencialidades do vir a ser.

terça-feira, 17 de março de 2009

A dimensão poética da educação ambiental.

O ambiente natural propicia um momento de reflexão sobre a vida, a felicidade, a eternidade, e pode ser utilizado pelos educadores para fazer emergir sentimentos até então desconhecidos para os seus “educandos”. Escrever poemas é uma destas formas.
Acredito que a expedição no ambiente natural pode abrir caminhos para o “conheça-te a ti mesmo” Socrático, contribuindo para realização do ser humano, pois ao conhecer-se o ser humano pode adquirir informações para viver do modo que mais lhe agrada.
A seguir segue meu poema fruto de uma experiência no ambiente natural (mar/praia). Vocês poderão ver algo parecido no texto do Rousseau “Devaneios de um passeante solitário”.

Felicidade no balanço do mar.

Nada há de sólido a que possa o coração prender-se
Ligados a objetos exteriores conseguimos apenas a felicidade que passa
Mas como podemos chamar felicidade um estado fugido
Quando precisamos de coisas exteriores para nos dar sentido?
Assim, freqüentemente, somos atacados por ondas
Onde o coração pensa: “quisera que este momento durasse para sempre”
Como se o sentimento de nossa simples existência não bastasse para nos completar;
É preciso concurso para lidar com as coisas exteriores
Sem agitação demasiada, nem letargia indolente
Busquemos no equilíbrio, o balanço
Visando um grande oceano atravessar
Olhemos a beleza do ser
E com força lutemos com o mar;
Um oceano de objetos imanentes
Invadem nossa mente
E em nossa ilha, a felicidade do “ser” conseguimos encontrar.

O turismo solidário: uma experiência significativa

O turismo solidário é uma modalidade de turismo em que o viajante coloca seus saberes, seus talentos a disposição das localidades visitadas e experimenta um contato íntimo com a cultura local através da hospedagem em um receptivo familiar.
Pratiquei esta modalidade de turismo em janeiro de 2009. Este é meu atual tema de estudos. Parto da premissa, que esta pode ser uma experiência com um alto poder educativo, uma vez que nossa percepção sobre a realidade pode ser ampliada através dela.
O turismo solidário trouxe uma experiência enriquecedora para minha vida. Em minha viagem pude perceber-me em um local com sérias dificuldades econômicas, mas com uma natureza exuberante, uma cultura peculiar e uma organização comunitária fantástica.
Estar lá abriu caminho para uma reflexão sobre meus valores e os valores vividos na sociedade atual, permitiu uma expedição aos “mistérios” da vida em contato com a natureza e aos “mistérios” que envolvem a satisfação do ser humano pelo reconhecimento e participação em uma comunidade.
Fez lembra-me que a vida vivida com simplicidade pode ser mais atraente do que aquela com muita sofisticação, uma vez que o ser humano é colocado sempre em primeiro plano na busca da satisfação. O contato com as pessoas do Vale do Jequitinhonha, local da minha viagem, foi o que mais me marcou.
Vivi por um tempo em contraposição a uma vida onde objetos, produtos estão sempre intermediando as relações interpessoais, onde, freqüentemente, somos o que consumimos, ou o que sabemos. Vivendo assim, corremos o risco de construir um mundo frio e desumano.
Praticar o turismo solidário foi uma “explosão” de sentimentos humanistas, onde o elemento humano está sempre em primeiro lugar independente das condições materiais e intelectuais dos mesmos.
E é por estes e por outros motivos, que não foram revelados, porque são difíceis de serem expressos, é que considero o turismo solidário uma experiência altamente significativa para construirmos um mundo mais humano, mais fraterno onde a justiça gere a paz tão almejada pelas famílias brasileiras.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

A emergência humanista em tempos de crise.

Segundo o capítulo 4: 32 do livro “Atos dos apóstolos” a igreja primitiva era organizada da seguinte maneira: “Da multidão dos que creram, uma era a mente e o coração. Ninguém considerava unicamente sua coisa alguma que possuísse, mas compartilhavam tudo o que tinham".

Em tempos de crise, de certo modo, somos convidados a viver segundo os moldes dessa Igreja, mas não estou aqui pensando na Igreja apenas como “sua comunidade”, mas como a humanidade em geral.

Porém, não estamos preparados para compartilhar tudo o que temos, temos nossas contas e nossos desejos pessoais, mas acredito que devamos olhar para os menos favorecidos e esquecer a famosa lógica, de que o outro não tem porque não se esforçou.

Em tempos de crise, simplesmente não temos oportunidades para todos, e é neste instante que cada cidadão pode se sentir como parte de um todo que sofre, tornando-se consciente de que é parte do problema e que, portanto, deve ajudar eliminá-lo.

Tais problemas refletem claramente nossa incapacidade para organizar nossa rica nação. Assim, chegamos à conclusão de que atos de caridade não serão suficientes para solucioná-los, pois são de ordem estrutural. Entretanto com a crise abrem-se brechas para reflexão sobre os valores que conduzem nossas vidas.

Estou apostando que dessa reflexão pode emergir um novo sentimento humanista, pois prefiro previsões carregadas de esperança, confio na solidariedade para com o sofrimento do próximo para preencher as brechas produzidas.

Em tempos de crise, emerge o caos, e é justamente no caos que mora a esperança de uma nova ordem. Se eles dizem: “Yes, we can” (sim, nós podemos – frase símbolo da eleição de Barack Obama), nós por aqui podemos dizer em alto e bom tom: nós venceremos.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

O Garçom educador

Onde aprendemos? Quem nos construiu? A vida? As pessoas que passaram por ela? A escola? Procurando demonstrar que nosso aprendizado ocorre nos mais diferentes espaço e que temos que valorizá-los como um espaço com potencial educativo, decidi contar o seguinte caso através de uma breve etnografia, ou seja, uma descrição densa de uma cultura em um determinado espaço e tempo.
Caminhava pela Avenida São Francisco Xavier, no bairro Maracanã, Rio de Janeiro, quando avistei três garotos que com agilidade brincavam entre a multidão. Devido à chuva que se iniciava, por volta do meio dia, parei em baixo de um toldo em frente a um restaurante sem qualquer aspecto de requinte.
Passado algum tempo os garotos aparentando ter entre dez e oito anos pararam ao meu lado, um deles tinha (ao que me parece) uma conjuntivite bastante preponderante em seu rosto.
Uma sensação estranha percorreu meu corpo, talvez um pouco abalado por ter recebido há cinco minutos atrás um pedido, ao meu ver, desesperador: “paga um salgado pra mim”, e indiquei as crianças: “vai para escola”, acreditando ser esta uma instituição capaz de conduzi-los a uma melhor condição de vida, para que não ocupem o lugar desesperador do rapaz avistado minutos atrás.
Neste momento, saiu um rapaz do restaurante, aparentemente um garçom, ele provavelmente ouviu meu comentário para as crianças, dada a proximidade entre nós, e disse aos meninos: “de onde vocês estão vindo?” Um deles respondeu: “do complexo” (bairro considerado perigoso), logo em seguida o rapaz perguntou: “o que vocês estão fazendo aqui?” Os meninos pareciam confusos e não sabiam o que dizer, foi então que um deles com um sorriso contido, disse: “roubar”.
Sinceramente, não sei o quanto aquela fala era verdadeira, pensei que podiam estar querendo impressionar, outro menino brincou: “estou com uma pistola”. O garçom avistando um rapaz com um braço quebrado, de aspecto sujo e que falava sozinho, disse: “Alá, vai ficar daquele jeito” e ameaçou os meninos, dizendo: “vai ficar guardado heim”, ou seja, preso, e complementou: “ não vai ficar botando o terror aqui não, vai tomar uma raquetada”. (tapa)
O que me chamou atenção era que o rapaz fazia tais comentários em um tom amigável e os meninos aceitavam-os do mesmo modo. Acredito que neste momento, tanto eu, como o garçom estávamos preocupados com o destino das crianças.
No entanto, pensávamos e agíamos seguindo estratégias distintas para indicarmos um caminho, eu na escola, e ele, ao modo dele, sendo o próprio educador, criado na vida, derepente ele sabia que naquele espaço ele podia ser, como ao meu ver foi, um exemplo de dedicação e perseverança.
Desse modo, posso afirmar: avenida, restaurante, garçom, crianças montaram um cenário onde a cultura se (re) significa, se modela e se criam símbolos para um convívio. Eis um espaço educativo, onde acontece a construção social do meio ambiente.

Os “pulos” na Austrália.

“Autoridades sanitárias dos Estados da Austrália do Sul e Vitória aconselharam as pessoas a ficarem em lugares fechados, com ar-condicionado, e a manterem uma boa hidratação.”
Diante deste cenário, fico perguntando-me: será que já começou os efeitos do aquecimento Global? No entanto, não preciso nem ir muito longe para perceber que, de fato, este problema já nos aflige, é só acompanharmos, por exemplo, as estações climáticas que não obedecem mais a sua ordem natural conhecida tão bem pelos nossos familiares mais antigos.
Infelizmente, o aquecimento global já dá seus sinais, mas acredito que não adianta nos alarmarmos pensando que daqui alguns anos as coisas poderão ficar ainda pior. Acredito que devemos ter esperança de construir uma sociedade mais preocupada com as questões ambientais e que seremos capazes de resolve este problema.
Contudo, hoje é o dia de começarmos a transformação necessária, e, se caso o amigo (a) leitor (a) estiver se perguntando como posso contribuir, digo o seguinte, procure utilizar transportes como: a bicicleta e o ônibus.
Para isso, novos valores precisam ser colocados em pauta, como: a solidariedade, o amor, a paz, e não falo deles só em nível mundial, falo deles inundando (que medo desta palavra) o seu cotidiano.
Afinal, quem não tem uma boa relação com seu semelhante, quem não se preocupa com ele, dificilmente fará a diferença e contribuirá para que o aquecimento global não faça mais vítimas.
Cobre do poder público a construção de ciclovias e o aperfeiçoamento dos transportes coletivos. Viva a cultura da bicicleta, do transporte coletivo, quem sabe, desse modo, garantiremos que os pulos dos cangurus australianos durem por muito tempo.