Poucos dias antes de começar a Conferência das Nações Unidas (Rio + 20), recebi um email de um jornalista francês. Seu desejo era conhecer hortas comunitárias na cidade do Rio de Janeiro. Ele havia conseguido meu contato em uma das redes sociais na internet e no dia 19/06/2012, por volta das 13h00, iniciamos nosso percurso em busca de uma horta comunitária.
Pegamos um táxi, no caminho, tentei fazer contatos com o pessoal da horta comunitária do Morro da Coroa, mas não consegui. Conectado na internet, por meio do meu celular, entrei no Blog do Grupo Santa Horta, parceiros da Horta, a fim de obter números de telefones que poderiam me ajudar na comunicação, mas para minha surpresa, me deparei com um artigo dizendo que a horta comunitária não existia mais.
Quando dei por mim, estava levando o jornalista francês para uma horta que havia se transformado em quartel da unidade de polícia pacificadora (UPP). Quando entramos na floresta da Tijuca, rumo a horta, que agora é uma praça e um quartel, fiquei apreensivo. O que vou mostrar para o jornalista? Ao passar pelo Morro dos Prazeres, lembrei que alguns meses atrás tinha participado da inauguração de um pomar em um antigo Casarão, logo pensei: vou mostrar um “lindo” pomar para ele e vai ficar tudo bem.
Visto a oportunidade de mostrar alguma iniciativa de plantio popular, pedi para o motorista do táxi voltar e subir o morro. Alguns metros acima avistava-se o enorme casarão, mas quando chegamos aos fundos, no local do suposto pomar, existia apenas um terreno abandonado.
No entanto, a moça responsável pelo espaço disse que poderia mostrar a horta da Creche que ficava ao lado, me animei novamente – o taxista nos esperava – mas infelizmente a horta do local também estava abandonada. Tal fato confirmava o que já havia dito para o jornalista momentos antes da nossa visita, salvo algumas exceções, os moradores do Rio de Janeiro e muito provalvemente os moradores das metrópoles, ainda não possuem a cultura de plantar alimentos.
Quando voltávamos da primeira tentativa de mostrar uma horta, o francês percebeu a existência de alguns policiais da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) e fez comentários em relação aos guardas franceses, que são chamados de “polícia de proximidade”. Nesse momento, eu disse que a polícia do Rio tinha a mesma ideia, também teríamos uma suposta polícia de “proximidade”. O taxista dizia saber o local do novo endereço, mas se perdeu, passamos a perguntar para algumas pessoas que andavam pelo bairro de Santa Teresa, nos indicaram voltar ao quartel e subir no Morro por uma rua ao lado.
Quando chegamos ao quartel, perguntei aos policiais: vocês sabem aonde é a horta que estava aqui? Ele olhou para mim e foi perguntar aos seus colegas e para minha surpresa, adivinhe? Nossa “polícia de proximidade” não sabia o endereço da nova horta que estava apenas 500 metros morro acima, como vim saber depois.
Finalmente chegamos à nova Horta Comunitária do Morro da Coroa, mas adivinhem? A Horta estava fechada. Novamente me perguntava e agora? Andei mais de 1h00 no taxi com o jornalista, nesse momento do percurso o valor da corrida já ultrapassava os 50 reais e nada de horta.
Decidi andar pela favela perguntando se alguém conhecia o Sr. Áureo, colega responsável pela horta. Indicaram-me o local da sua casa e adivinhem? Sim o Sr. Áureo estava em sua casa. Ele pegou seu Chapéu e fomos apresentar a persistente horta comunitária do Morro da Coroa, que mesmo depois de demolida, para ceder espaço à segurança pública, continuava suas atividades em outro espaço. Caso queiram saber um pouco mais sobre o histórico da horta podem assistir um vídeo-documentário no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=LiPLA8q8IuY
Depois desse encontro, o jornalista francês publicou um artigo em um dos jornais no qual trabalha. Ele deu o seguinte título para sua matéria: “Longe da “Rio + 20”, as hortas comunitárias nas favelas” e meu texto recebeu o nome de: “Em busca de uma Horta Comunitária na Rio + 20”. Ambos incentivam o plantio nas cidades. Ver a reportagem dele no site http://www.politis.fr/Loin-tres-loin-de-la-conference-de,18723.html

