sábado, 30 de janeiro de 2010

Tarde de sol

Tarde de sol, a praia de Ipanema lotada, de repente eis que surge o grito no meio da multidão: “pega ladrão”, o que se viu em seguida foi uma grande quantidade de pessoas se mobilizando para capturar o infrator.
Enquanto a cena acontecia ouvia dos banhistas ao meu redor: “vai apanhar muito”. O ladrão realmente apanhou muito e foi pego, oficialmente, pela Guarda Municipal. Entre os passeantes no calçadão expressões como: “o cara roubou, os cara quebrou” – ao verem o rapaz se recuperar dos golpes da população enfurecida – ecoavam junto ao barulho do cotidiano que prosseguia com se nada tivesse acontecido.
A medida tomada pela população talvez diminua a possibilidade de novos roubos ou desafie a habilidade dos ladrões para praticar o delito e passar despercebido, mas, nesta cena, especificamente, fiquei com a sensação de estarmos criando um “inimigo da sociedade” uma vez que a expressão de ódio do rapaz sob o poder dos guardas era assustadora.
Não nego as dificuldades enfrentadas pela população do Rio de Janeiro frente à crescente violência, mas será que mais violência resolverá o problema? O rapaz poderia ser imobilizado pela população sem sofrer nenhum tipo de agressão.
Ficou nítido que o tema “pega ladrão” é ecoado para além dos passatempos infantis quando os mesmos se concentram no “polícia e ladrão” e em texto de jargões, com tema de grande complexidade e divergências, termino com “brincadeira de criança” e convido o leitor (a) para concluir o artigo.