Onde aprendemos? Quem nos construiu? A vida? As pessoas que passaram por ela? A escola? Procurando demonstrar que nosso aprendizado ocorre nos mais diferentes espaço e que temos que valorizá-los como um espaço com potencial educativo, decidi contar o seguinte caso através de uma breve etnografia, ou seja, uma descrição densa de uma cultura em um determinado espaço e tempo.
Caminhava pela Avenida São Francisco Xavier, no bairro Maracanã, Rio de Janeiro, quando avistei três garotos que com agilidade brincavam entre a multidão. Devido à chuva que se iniciava, por volta do meio dia, parei em baixo de um toldo em frente a um restaurante sem qualquer aspecto de requinte.
Passado algum tempo os garotos aparentando ter entre dez e oito anos pararam ao meu lado, um deles tinha (ao que me parece) uma conjuntivite bastante preponderante em seu rosto.
Uma sensação estranha percorreu meu corpo, talvez um pouco abalado por ter recebido há cinco minutos atrás um pedido, ao meu ver, desesperador: “paga um salgado pra mim”, e indiquei as crianças: “vai para escola”, acreditando ser esta uma instituição capaz de conduzi-los a uma melhor condição de vida, para que não ocupem o lugar desesperador do rapaz avistado minutos atrás.
Neste momento, saiu um rapaz do restaurante, aparentemente um garçom, ele provavelmente ouviu meu comentário para as crianças, dada a proximidade entre nós, e disse aos meninos: “de onde vocês estão vindo?” Um deles respondeu: “do complexo” (bairro considerado perigoso), logo em seguida o rapaz perguntou: “o que vocês estão fazendo aqui?” Os meninos pareciam confusos e não sabiam o que dizer, foi então que um deles com um sorriso contido, disse: “roubar”.
Sinceramente, não sei o quanto aquela fala era verdadeira, pensei que podiam estar querendo impressionar, outro menino brincou: “estou com uma pistola”. O garçom avistando um rapaz com um braço quebrado, de aspecto sujo e que falava sozinho, disse: “Alá, vai ficar daquele jeito” e ameaçou os meninos, dizendo: “vai ficar guardado heim”, ou seja, preso, e complementou: “ não vai ficar botando o terror aqui não, vai tomar uma raquetada”. (tapa)
O que me chamou atenção era que o rapaz fazia tais comentários em um tom amigável e os meninos aceitavam-os do mesmo modo. Acredito que neste momento, tanto eu, como o garçom estávamos preocupados com o destino das crianças.
No entanto, pensávamos e agíamos seguindo estratégias distintas para indicarmos um caminho, eu na escola, e ele, ao modo dele, sendo o próprio educador, criado na vida, derepente ele sabia que naquele espaço ele podia ser, como ao meu ver foi, um exemplo de dedicação e perseverança.
Desse modo, posso afirmar: avenida, restaurante, garçom, crianças montaram um cenário onde a cultura se (re) significa, se modela e se criam símbolos para um convívio. Eis um espaço educativo, onde acontece a construção social do meio ambiente.
Caminhava pela Avenida São Francisco Xavier, no bairro Maracanã, Rio de Janeiro, quando avistei três garotos que com agilidade brincavam entre a multidão. Devido à chuva que se iniciava, por volta do meio dia, parei em baixo de um toldo em frente a um restaurante sem qualquer aspecto de requinte.
Passado algum tempo os garotos aparentando ter entre dez e oito anos pararam ao meu lado, um deles tinha (ao que me parece) uma conjuntivite bastante preponderante em seu rosto.
Uma sensação estranha percorreu meu corpo, talvez um pouco abalado por ter recebido há cinco minutos atrás um pedido, ao meu ver, desesperador: “paga um salgado pra mim”, e indiquei as crianças: “vai para escola”, acreditando ser esta uma instituição capaz de conduzi-los a uma melhor condição de vida, para que não ocupem o lugar desesperador do rapaz avistado minutos atrás.
Neste momento, saiu um rapaz do restaurante, aparentemente um garçom, ele provavelmente ouviu meu comentário para as crianças, dada a proximidade entre nós, e disse aos meninos: “de onde vocês estão vindo?” Um deles respondeu: “do complexo” (bairro considerado perigoso), logo em seguida o rapaz perguntou: “o que vocês estão fazendo aqui?” Os meninos pareciam confusos e não sabiam o que dizer, foi então que um deles com um sorriso contido, disse: “roubar”.
Sinceramente, não sei o quanto aquela fala era verdadeira, pensei que podiam estar querendo impressionar, outro menino brincou: “estou com uma pistola”. O garçom avistando um rapaz com um braço quebrado, de aspecto sujo e que falava sozinho, disse: “Alá, vai ficar daquele jeito” e ameaçou os meninos, dizendo: “vai ficar guardado heim”, ou seja, preso, e complementou: “ não vai ficar botando o terror aqui não, vai tomar uma raquetada”. (tapa)
O que me chamou atenção era que o rapaz fazia tais comentários em um tom amigável e os meninos aceitavam-os do mesmo modo. Acredito que neste momento, tanto eu, como o garçom estávamos preocupados com o destino das crianças.
No entanto, pensávamos e agíamos seguindo estratégias distintas para indicarmos um caminho, eu na escola, e ele, ao modo dele, sendo o próprio educador, criado na vida, derepente ele sabia que naquele espaço ele podia ser, como ao meu ver foi, um exemplo de dedicação e perseverança.
Desse modo, posso afirmar: avenida, restaurante, garçom, crianças montaram um cenário onde a cultura se (re) significa, se modela e se criam símbolos para um convívio. Eis um espaço educativo, onde acontece a construção social do meio ambiente.
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