Segundo o capítulo 4: 32 do livro “Atos dos apóstolos” a igreja primitiva era organizada da seguinte maneira: “Da multidão dos que creram, uma era a mente e o coração. Ninguém considerava unicamente sua coisa alguma que possuísse, mas compartilhavam tudo o que tinham".
Em tempos de crise, de certo modo, somos convidados a viver segundo os moldes dessa Igreja, mas não estou aqui pensando na Igreja apenas como “sua comunidade”, mas como a humanidade em geral.
Porém, não estamos preparados para compartilhar tudo o que temos, temos nossas contas e nossos desejos pessoais, mas acredito que devamos olhar para os menos favorecidos e esquecer a famosa lógica, de que o outro não tem porque não se esforçou.
Em tempos de crise, simplesmente não temos oportunidades para todos, e é neste instante que cada cidadão pode se sentir como parte de um todo que sofre, tornando-se consciente de que é parte do problema e que, portanto, deve ajudar eliminá-lo.
Tais problemas refletem claramente nossa incapacidade para organizar nossa rica nação. Assim, chegamos à conclusão de que atos de caridade não serão suficientes para solucioná-los, pois são de ordem estrutural. Entretanto com a crise abrem-se brechas para reflexão sobre os valores que conduzem nossas vidas.
Estou apostando que dessa reflexão pode emergir um novo sentimento humanista, pois prefiro previsões carregadas de esperança, confio na solidariedade para com o sofrimento do próximo para preencher as brechas produzidas.
Em tempos de crise, emerge o caos, e é justamente no caos que mora a esperança de uma nova ordem. Se eles dizem: “Yes, we can” (sim, nós podemos – frase símbolo da eleição de Barack Obama), nós por aqui podemos dizer em alto e bom tom: nós venceremos.
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