
A via era em ziguezague, assim como nos dias de confusão. No entanto permaneci em linha reta, pois tinha um objetivo a ser alcançado; a todo instante lembrava: “caminhante, não existe caminho, o caminho se faz ao caminhar”.
Estas foram minhas reflexões em direção a favela Tavares Bastos no bairro do Catete na cidade do Rio de Janeiro. As vielas e as rotas desconhecidas logo apareceram em minha frente, não havia mais nomes de ruas, nem numeração ordenada nas casas.
Depois de um momento de apreensão – apesar da favela abrigar um batalhão do Bope – e de conversas com alguns moradores, cheguei ao meu destino; um hotel chamado de The Mazze (O labirinto), no qual se hospedam, principalmente, turistas estrangeiros. Segundo informações do proprietário – um inglês que mora a 20 anos no Brasil – a favela não tem tráfico de drogas, nem pessoas armadas circulando, como outrora pude perceber na favela da Rocinha.
Entrando no hotel me deparei com uma bela paisagem da varanda (Pão de açúcar ao fundo). Depois da entrevista segui rumo à casa de outro morador. No caminho encontrei um policial do BOPE em seu horário de almoço, ele fazia um trabalho voluntário. Parei um
instante para conhecer o trabalho e “ganhei” a companhia de um dos participantes do projeto durante minha caminhada. Desse modo, conheci melhor o local, onde moravam escravos e foram gravadas cenas do filme “Tropa de Elite”, “Incrível Hulk”, “Vidas opostas” (novela da Record) entre outros eventos.Estive na localidade investigando os significados da atividade turística que acontece ali. No entanto, tive um dia atípico e cheio de surpresas. Ao contrário do que havia acontecido em algumas outras pesquisas de campo que realizei – cujos resultados poderão ser conhecidos em publicações acadêmicas –, tive oportunidade de ampla interação com a população local e as pessoas que conversavam comigo eram amistosas.
Minha intenção neste ensaio é mostrar ao leitor(a) que estes espaços e as pessoas que ali se encontram não merecem ser estigmatizadas, ou melhor, qualquer pessoa que more em localidades consideradas “pobres” merecem respeito, consideração e atenção por parte do poder público e da sociedade civil para que consigam ter uma vida digna, pois compartilham o mesmo país e a mesma esperança de amor, paz e felicidade que nos une a família da espécie humana.
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