quinta-feira, 22 de abril de 2010

A manhã dos alagados

O jornal não chegou. O padeiro não passou e mais um cidadão brasileiro deixou de ir ao trabalho. A condução cotidiana enfrenta problemas. Pela janela, a mesma chuva que deixou as pessoas paradas 5 horas na noite anterior cai levemente, mas a rua continua alagada.

Problemas como este se repetem nas grandes cidades brasileiras, no fragmento acima uma grande quantidade de leis a favor dos cidadãos e do meio ambiente estão sendo desrespeitadas como as que se referem ao saneamento básico, saúde, locomoção, moradia e etc.
Existem culpados nesta história? Imagino que cada indivíduo irá eleger seus culpados com frase do tipo: “os problemas são dos políticos”, “é um dever do estado”, “é o aquecimento global, está chovendo muito”, “é a largura do rio”, “é o lixo que entope os bueiros”, “o povo não faz nada”. Por outro lado, podem existir aqueles que digam: “ainda bem, não vou ter que trabalhar”.
Não vejo outra saída para solucionar os problemas das enchentes, a não ser pela aproximação entre os diferentes atores sociais. Juntos poderão discutir propostas com o poder público. Será que a enchente precisa chegar à porta do prefeito, do governador ou do presidente para que alguma medida seja tomada?
Em outros locais do país não existem enchentes, mas os problemas seguem dinâmicas parecidas, ou seja, algum fenômeno afeta a saúde da população, desrespeita seus direitos e a situação continua acorrendo. O que será a lei? Um amontoado de letras mortas? Ou um guia para regular as ações dos indivíduos? Será que alguém conhece o estatuto da cidade, por exemplo?

O que era chuva, agora são pingos que caem das árvores. Alguns pensam se as árvores gostam de ser rio por um momento. Em outro canto da cidade, um engenheiro se questiona: “quando será que vão começar as obras no rio? Deve ter no mínimo 100 metros para água escoar” e sua esposa comenta: “tem que renaturalizar a paisagem”. Sentado a beira do rio o pescador ao ler a notícia pensa: “por isso minha casa está longe do rio” e a médica do posto de saúde que estava lendo a mesma notícia lamenta o aumento das doenças de veiculação hídrica. Visto as indignações de cada um, se reuniram no dia seguinte em um espaço público, convidaram pessoas, cada um dos participantes expôs seu ponto de vista e organizaram um documento com diretrizes capazes de contribuir com a solução dos problemas das enchentes.
Em texto que apresenta problemas e soluções, o final feliz ou trágico fica a cargo do leitor. Até a próxima chuva.

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